
Edmilson Volpi*
De mapas medievais ao Google Earth, uma exposição da Biblioteca Britânica, em 2010, a Magnificent Maps, reuniu milhares de mapas e recebeu excelente accolhida da crítica e do público. Na época, seu curador, Peter Barber, separou para um artigo especial no Daily Mail uma relação do que ele considerava os 10 maiores. Os mapas que, na sua opinião, mudaram o mundo.
Segue a lista, abaixo.

1. Cartaz soviético de Dimitri Moor.
A jovem União Soviética sofria com invasão, fome e agitação social. Para combater isso, a ditadura comunista contratou designers como Moor para criar propaganda pró-regime. Usando um mapa da Rússia europeia e seus vizinhos, Moor estilizou um heróico guarda bolchevique derrotando os invasores, ajudando a definir a URSS no imaginário popular russo.
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Além de refletir as mais recentes teorias sobre a forma do mundo e as melhores maneiras de retratá-lo em uma superfície plana, o mapa ajudava Colombo a argumentar que não havia uma grande distância marítima entre a Europa e a China, e que os europeus não precisariam passar por terras muçulmanas para alcançar as riquezas das Índias Orientais.

3. Globo chinês, 1623
Fusão das culturas do Ocidente e do Oriente, este é o mais antigo globo terrestre chinês, provavelmente confeccionado pelos missionários jesuítas Manuel Dias (1574-1659), que introduziu o telescópio na China, e Nicolo Longobardi (1565-1655), superior geral da missão chinesa – ambos estudiosos respeitados.
Foi presente para o imperador chinês, e a representação da China foi propositadamente exagerada. Mas, os conceitos de eclipses, meridianos e as informações sobre inclinação magnética baseiam-se em ideias desenvolvidas na China muito antes do que no Ocidente.

4. Mapa-múndi de Waldseemüller, 1507
Foi o primeiro mapa a considerar nosso continente independente da Ásia e a nomeá-lo como ‘América’. Criado pelo cartógrafo alemão Martin Waldseemüller, o mapa era acompanhado por um livreto explicativo de Matthias Ringmann, que defendia a teoria da América independente. O nome ‘América’ – que, como os demais continentes, deveria ter um nome feminino – era inspirado no navegador florentino Américo Vespúcio, amigo de Ringmann e que ele acreditava erroneamente ter chegado ao continente antes de Colombo.
Mas sua importância superava largamente esse erro e o mapa foi também o primeiro a mostrar o que hoje se sabe ser ser o Oceano Pacífico, a Oeste da América do Sul, o que só seria confirmado anos depois.

5. Google Earth, 2005
O mapa na palma da mão, em tempo real. Com o Google Earth, qualquer parte do globo pode virar o centro do mundo (neste caso, a região do subúrbio do Rio de Janeiro), agregando o que cada um julgar mais importante. Com a universalização dos smartphones, a capacidade de criar um mapas precisos foi literalmente posta nas mãos de todos, transformando a maneira como vemos o mundo.

6. Mapa da pobreza de Londres, 1889
Em 1889, o empresário Charles Booth não parecia acreditar que um quarto dos londrinos vivia em extrema pobreza. Resolveu, então, contratar pessoas para fazer um mapeamento. O chamado ‘Mapa Mestre’ usava esquemas de cores para sete categorias (de preto, para ‘classe mais baixa, semi-criminoso, até ouro, para ricos) descobriu que o número era maior: 30%. Os resultados foram usados paras estabelecer políticas públicas habitacionais.

7. Mapa ‘red line’ da América do Norte (1783)
Durante as negociações de paz, em Paris, para o fim da Guerra de Independência dos Estados Unidos, este mapa de John Mitchel, de 1755, foi usado por diplomatas britânicos e americanos. O secretário da delegação inglesa, Richard Oswald, traçou linhas coloridas mostrando onde se pensava que seria a fronteira EUA/Canadá.
Pelas linhas de Oswald, grande parte do sudeste canadense teria sido entregue aos EUA, mas os americanos pediram pouco – tentaram renegociar no século seguinte, mas só veriam o mapa de Oswald, que passou a ser conhecido como ‘red line map’, em 1896. A situação era tão sensível que o mapa foi removido do Museu Britânico, onde estava desde a década de 1820, e escondido no Ministério das Relações Exteriores.

8. Mapa do Metrô de Londres, 1933
Seguido hoje por quase todas as operadoras de Metrô no mundo, o conceito utilizado por Harry Beck para mapear as estações do Metrô de Londres, em 1931, foi considerado tão ousado que só passou a ser adotado dois anos depois. Sua ideia de usar linhas retas e intervalos semelhantes para representar o entrelaçamento de redes e ramais ferroviários foi uma solução brilhante para representar de maneira clara e elegante um sistema denso e complexo. Tornou-se um ícone cartográfico.

9. Mapa-múndi da projeção de Peters
Em 1974, o alemão Arno Peters tentou corrigir as conhecidas distorções da projeção de Mercator, que aumenta o tamanho das terras nos extremos norte e sul do planeta. Sua solução melhor as proporções das terras mais ao centro do planeta, mas também contém erros.

10. Mapa-múndi de Eshevan (1400)
Elaborado na Idade Média por um clérigo da Abadia de Eveshan, na Inglaterra, esse mapa-múndi marcaria o nascimento do patriotismo inglês moderno. No topo, é possível ver o Jardim do Éden, a Torre de Babel, abaixo, e uma grande Jerusalém com várias torres. Mas a representação do território inglês estende-se da Escandinávia ao Mediterrâneo.
Leia aqui o artigo original e aqui, a tradução no Curiosidades Cartográficas.
* Edmilson M. Volpi é engenheiro cartógrafo e editor da página Curiosidades Cartográficas no Facebook e Instagram




