O satélite Amazonia-1 completou cinco anos em órbita no dia 28 de fevereiro, marcando um ciclo relevante para o programa brasileiro de observação da Terra. Lançado em 2021 a partir do Satish Dhawan Space Centre, na Índia, a bordo do foguete PSLV, o equipamento foi o primeiro satélite de sensoriamento remoto totalmente desenvolvido no país. Projetado para operar por quatro anos, o sistema segue em funcionamento após ultrapassar a vida útil prevista, mantendo desempenho considerado satisfatório pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
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Ao longo desse período, o Amazonia-1 realizou mais de 26 mil órbitas ao redor da Terra, garantindo revisita frequente ao território brasileiro. Equipado com a câmera WFI (Wide Field Imager), o satélite é capaz de imagear mais de 2 milhões de quilômetros quadrados em aproximadamente sete minutos. As imagens são transmitidas em tempo real para as estações do INPE e disponibilizadas gratuitamente por meio do catálogo oficial do instituto, sendo utilizadas no monitoramento de biomas, áreas agrícolas, reservatórios hídricos, zonas costeiras e regiões afetadas por desastres ambientais.
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O sensoriamento remoto realizado pelo Amazonia-1 integra políticas públicas de controle do desmatamento, gestão de recursos naturais e acompanhamento do uso e cobertura da terra. A ampla cobertura espacial da câmera permite análises sistemáticas e comparativas ao longo do tempo, ampliando a capacidade de detecção de mudanças ambientais. O fornecimento contínuo de dados também contribui para estudos climáticos e planejamento territorial, reduzindo a dependência de imagens estrangeiras em determinadas aplicações estratégicas.
Além dos resultados operacionais, o satélite validou em voo a Plataforma Multimissão (PMM), estrutura modular desenvolvida para suportar diferentes tipos de cargas úteis de sensoriamento remoto e missões científicas. A plataforma reúne subsistemas de controle de atitude e órbita, propulsão, geração e gerenciamento de energia, controle térmico e telecomunicações. Antes do lançamento, o Amazonia-1 passou por campanhas extensas de testes no Laboratório de Integração e Testes (LIT), incluindo ensaios de vibração, acústicos, interferência eletromagnética e termovácuo, etapas necessárias para simular as condições do ambiente espacial.
A continuidade do programa está prevista com o Amazonia-1B, atualmente em fase de integração e com lançamento programado para 2027, a partir de Kourou, na Guiana Francesa, a bordo do veículo Vega-C. O novo satélite integrará a Missão AQUAE, voltada ao monitoramento de recursos hídricos continentais e marinhos, além de contribuir para estudos atmosféricos. A sequência das missões reforça a utilização do sensoriamento remoto como instrumento permanente de monitoramento ambiental e gestão territorial no Brasil.
ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

