Angola, 50 anos: Censo mostra país mais urbano, escolarizado e ainda muito jovem

Censo 2024 de Angola, INE

O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou, em novembro de 2025, mês do cinquentenário do país, os resultados definitivos do Recenseamento Geral da População e Habitação 2024, realizado com data de referência em 19 de setembro de 2024. Segundo o relatório, Angola passou a ter 36,6 milhões de habitantes, frente aos 25,8 milhões registados em 2014, o que corresponde a uma taxa de crescimento de 3,5% no período intercensitário. As mulheres são ligeiramente maioria, com 51% do total, enquanto os homens representam 49%.

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O país mantém um perfil marcadamente jovem: a idade média da população é de 23 anos, e a idade mediana, de 18 anos, confirmando o peso das novas gerações na estrutura demográfica. A urbanização avançou de forma acelerada: 65,5% dos habitantes vivem em áreas urbanas, contra 34,5% em zonas rurais. Luanda continua a concentrar a maior fatia da população, com 8,8 milhões de residentes, enquanto a província do Cuando aparece como a menos populosa, com cerca de 138,7 mil habitantes. A densidade demográfica média é de 29,4 habitantes por quilómetro quadrado, mas chega a 5.349,3 em Luanda, contrastando com 1,3 no Cuando.

O censo também confirma um ligeiro reequilíbrio entre homens e mulheres: o índice de masculinidade passou de 94 para 96, o que significa 96 homens para cada 100 mulheres. As maiores razões entre homens e mulheres aparecem nas províncias da Lunda Norte (106) e do Cuando (104), enquanto Benguela e Cunene têm os menores índices, com 92 homens para cada 100 mulheres. Esses contrastes regionais, segundo o INE, ajudam a compreender dinâmicas migratórias internas, impactos económicos locais e a pressão sobre serviços públicos em determinadas províncias.

Na educação, o quadro geral aponta avanços, embora persistam desigualdades. A proporção de pessoas com 15 anos ou mais que sabem ler e escrever subiu de 65,6% para 72,6% em dez anos. Entre jovens de 15 a 24 anos, a taxa de alfabetização é de 74,9%. Apesar desse progresso, 24,2% da população com 5 anos ou mais nunca frequentou a escola e 34,2% dos jovens de 15 a 18 anos estão fora do sistema de ensino, com incidência maior nas áreas rurais, onde o afastamento da escola é mais comum.

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Os dados sobre escolarização revelam ainda um gargalo na transição para os níveis mais elevados. Apenas 3,68 milhões de pessoas com 18 anos ou mais concluíram o II ciclo do ensino secundário. As taxas líquidas de frequência ao ensino primário (6–11 anos) e secundário (12–18 anos) são de 62,1% e 41,9%, respetivamente, com desempenho melhor nas cidades do que no campo. Essa combinação de progresso parcial e déficit estrutural indica a necessidade de políticas focadas na permanência escolar dos adolescentes e na expansão da oferta de ensino secundário, sobretudo fora dos grandes centros urbanos.

O Censo 2024 também mostra avanços em registo civil e documentação. A proporção da população com registo de nascimento subiu de 53,5% em 2014 para 63% em 2024, com salto significativo entre crianças de 0 a 4 anos, de 24,8% para 39,2%. Entre os maiores de 5 anos, 52,4% possuem bilhete de identidade. Ainda assim, quase metade dos angolanos com 5 anos ou mais não tem documento de identificação, o que limita o acesso a serviços públicos, programas sociais e participação plena na economia formal.

Nas condições de vida, o levantamento identifica melhorias, mas também fortes disparidades entre urbano e rural. A proporção de agregados familiares com acesso a água apropriada para beber passou de 44% para 56% em dez anos, e o acesso à eletricidade da rede pública cresceu de 31,9% para 48,6%. Em contrapartida, 45,8% dos agregados ainda utilizam combustíveis sólidos para cozinhar, com impacto direto na saúde e na qualidade do ar dentro das habitações, sobretudo nas zonas rurais, onde essa proporção chega a 86,8%.

O “raio X” traçado pelo Censo 2024 inclui também mudanças no perfil dos agregados familiares. O país contabiliza 9,11 milhões de agregados, com tamanho médio de 3,9 pessoas, abaixo das 4,6 registadas em 2014. A posse de parcelas ou lavras caiu de 46,3% para 36,5%, sugerindo maior dependência de rendimentos urbanos e atividades não agrícolas, em linha com a expansão das cidades. Para o INE, os resultados definitivos servirão de base para a formulação de políticas públicas em áreas como planeamento urbano, educação, proteção social e infraestrutura, além de orientar a distribuição territorial de recursos nos próximos anos.

Para conhecer os resultados, clique aqui.

ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

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