App gratuito permite trabalhar com mapas interativos na sala de aula

A plataforma MAPi pode ser usada por professores e alunos e mapeia dados, textos e multimídia, além de fazer análises espaciais; inscrições para oficina sobre a ferramenta estão abertas até 11 de maio

O Centro de Estudos da Metrópole (CEM) promoverá, no dia 18 de julho, uma oficina integrante do 24º Encontro USP Escola, sobre a Plataforma de Mapeamento Interativo (MAPi). O novo aplicativo permite o mapeamento de elementos do espaço urbano por meio de dados textuais e multimídia (fotos e vídeos), a visualização de dados espaciais sobre diversos temas e a realização de análises espaciais, como criação de mapas temáticos e gráficos. O aplicativo será apresentado pelo pesquisador Kaue Oliveira Almeida, da Equipe de Transferência e Difusão do CEM. As inscrições para a oficina são gratuitas e devem ser feitas até o dia 11 de maio no site oficial do evento, onde também é possível consultar a programação completa. 

O público-alvo desta atividade do CEM são os professores da educação básica, especialmente os do ensino médio, e estudantes de cursos de licenciatura, porém professores do ensino fundamental também podem participar. Serão duas horas de atividade, das 10h30 às 12h30, realizada na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo, em sala a ser definida. “Na oficina, teremos uma apresentação geral e darei as instruções básicas sobre a plataforma MAPi, mas também vamos fazer discussões para recolher sugestões sobre seu uso no contexto escolar no ensino médio, já que o sistema ainda está em desenvolvimento e queremos aprimorá-lo ao máximo para atender à demanda de professores e estudantes”, afirma Almeida.

Due Diligence

Na apresentação geral, haverá uma demonstração das funcionalidades do aplicativo em tempo real com acompanhamento dos participantes da oficina, seguida pela parte prática, em que os participantes poderão explorar a plataforma e esclarecer eventuais dúvidas. Na segunda parte da oficina será realizada uma discussão com os participantes sobre seus potenciais usos como ferramenta didática, tanto em situações monodisciplinares como transdisciplinares, recolhendo sugestões de aperfeiçoamento para próximas atualizações da plataforma.

O que é o MAPi

O aplicativo MAPi é uma plataforma web gratuita e aberta, que pode ser acessada diretamente pelo navegador da internet, sem necessidade de cadastro ou instalação de software. Atualmente, ela está com acesso fechado para testes, mas será aberta próximo da data do evento. É uma ferramenta para mapeamento interativo, um tipo de cartografia em que os usuários podem alterar aspectos da representação do mapa, mas desenvolvida para que indivíduos com ou sem conhecimento técnico possam se apropriar e produzir seus próprios dados espaciais. Ela pode ser usada como instrumento de apoio didático por professores e alunos, e também no planejamento territorial. 

O porcentual de mulheres, homens, crianças e pessoas negras em um determinado distrito da cidade de São Paulo é um exemplo do tipo de dados e mapas que podem ser produzidos com o uso do MAPi. Saber quantos são os equipamentos públicos como escolas e hospitais, incluindo suas características, e também onde estão localizados é outro exemplo. 

O aplicativo permite gerar mapas temáticos, como o coroplético (que representa dados estatísticos de um território a partir de diferentes cores, sombreamentos ou padrões), e fazer sobreposição de camadas, como, por exemplo, escola e transporte, o que poderia auxiliar no entendimento sobre o acesso à educação por parte de quem depende do sistema público de transporte. Outra funcionalidade do MAPi é a produção de gráficos associados aos dados espaciais, o que permite verificar a distribuição dos fenômenos dentro de um plano cartesiano que sintetiza os dados apresentados no mapa. “São ferramentas úteis não só para atividades de ensino, mas também para o planejamento de políticas públicas”, lembra o pesquisador.

Uma das inovações do MAPi está na sua integração com a plataforma Mapillary, o que permite a visualização de fotos geolocalizadas capturadas pelos próprios usuários. Os recursos de mapeamento colaborativo permitem que os usuários façam projetos de mapeamento do entorno da escola, por exemplo. Os alunos podem cadastrar elementos geolocalizados das condições urbanas do entorno, como a condição de calçadas ou lugares de pouca iluminação, com dados de texto, imagens ou vídeos. Essas informações são sistematizadas e podem ser visualizadas e analisadas por meio do mapa do MAPi para reflexão coletiva entre a turma ou com outras turmas, podendo-se incrementar a visualização com outros dados de fontes oficiais ou ainda de outras turmas para discussão de seus efeitos sociais. 

“Acreditamos que seu potencial de uso na sala de aula não se restrinja à área de ciências humanas, mas possa ser explorado por outras áreas do conhecimento. Porém, sobretudo, acreditamos que a plataforma tenha potencial para apoiar o uso de metodologias ativas e a construção de uma visão crítica e científica dos diferentes contextos territoriais vividos pelos estudantes”, finaliza o pesquisador. 

Sobre o CEM

Criado em 2000, com início das atividades em 2001, o Centro de Estudos da Metrópole (CEM) é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Cepid-Fapesp) e reúne cientistas de várias instituições para realizar pesquisa avançada, difusão do conhecimento e transferência de tecnologia em ciências sociais, investigando temáticas relacionadas a desigualdades e à formulação de políticas públicas nas metrópoles contemporâneas. Sediado na Faculdade de Filosofia, Letras, Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo e no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), o CEM é constituído por um grupo multidisciplinar, que inclui pesquisadores demógrafos, cientistas políticos, sociólogos, geógrafos, economistas e antropólogos.

Por Jornal da USP

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