Nayara Felizardo traz pelo G1 que controladores de tráfego usam sites como o Flightradar para efetivarem seus trabalhos, situação que escancara uma deficiência mais profunda na infraestrutura da aviação civil brasileira: a ausência de dados abertos e interoperáveis sobre o tráfego aéreo. Embora a Aeronáutica proíba o uso de ferramentas não homologadas, a realidade nos terminais sem radar demonstra que os profissionais recorrem a essas plataformas digitais para garantir o mínimo de segurança operacional – ainda que à margem das normas. A prática, segundo os próprios controladores, é resultado da carência de informações acessíveis, oficiais e atualizadas.
Atualmente, 14 dos 40 terminais de controle do país operam sem radar, conforme critérios rígidos de movimentação anual. No entanto, especialistas e controladores ouvidos pelo G1 questionam a adequação desses parâmetros, destacando casos como Uberaba e Uberlândia (MG), que possuem intenso tráfego aéreo, mas ficam abaixo das exigências quantitativas para instalação de equipamentos. Na ausência de radar e diante da imprecisão dos reportes feitos por pilotos, controladores usam o Flightradar como alternativa informal, mesmo sem validação oficial.
A situação revela não apenas uma lacuna tecnológica, mas também uma falha na política de dados da administração pública. A NAV Brasil, empresa pública vinculada à Aeronáutica, anunciou planos para instalar repetidores de vigilância em alguns terminais, como alternativa parcial ao radar. No entanto, a solução ainda está longe de atender à necessidade dos controladores por dados confiáveis em tempo real.
A crise é agravada pela ausência de uma política estruturada de dados abertos no setor aéreo. Países com sistemas de gestão mais modernos disponibilizam dados de tráfego em formatos acessíveis para operadores, pesquisadores e empresas, permitindo não apenas maior controle operacional, mas também inovação tecnológica. No Brasil, essa abertura de dados poderia apoiar o desenvolvimento de sistemas auxiliares e fortalecer a segurança nos terminais menos assistidos, especialmente em regiões de grande vulnerabilidade geográfica ou econômica.
Enquanto o Decea reafirma a adesão do Brasil às normas internacionais de segurança da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), o uso disseminado de ferramentas não oficiais por controladores civis evidencia uma desconexão entre a política oficial e a prática cotidiana. O resultado é um ambiente de trabalho estressante, com riscos operacionais elevados, agravado pela escassez de dados públicos e interoperáveis.
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