Brasil registra avanço limitado em patentes de energia para satélites e propulsão espacial, aponta radar do INPI

O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) publicou o Radar Tecnológico nº 49, que analisa o panorama de patenteamento em tecnologias espaciais com foco em energia para satélites e sistemas de propulsão. Elaborado em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB), o estudo reúne dados sobre pedidos de patente no Brasil e no mundo e integra um acordo de cooperação técnica entre as duas instituições. A publicação também dialoga com a estratégia industrial da Nova Indústria Brasil (NIB), voltada ao desenvolvimento de tecnologias consideradas sensíveis para áreas como defesa, comunicações e monitoramento ambiental.

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O levantamento identificou 65 novos pedidos de patente depositados no Brasil por residentes com aplicação no setor espacial, elevando para 164 o total de tecnologias brasileiras registradas desde 2010 no sistema de mapeamento da AEB, conhecido como MAPTEC. Os dados indicam crescimento gradual da atividade inventiva nesse campo, embora a titularidade permaneça concentrada principalmente em universidades e institutos de pesquisa, o que sugere um estágio intermediário de desenvolvimento tecnológico.

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A distribuição geográfica dos depositantes mostra forte concentração nas regiões Sul e Sudeste. O estado de São Paulo lidera o número de pedidos, seguido pelo Paraná. Fora desse eixo, o Rio Grande do Norte aparece como destaque, impulsionado pela atuação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Entre os principais depositantes também figuram a Universidade de São Paulo (USP), o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

O estudo também aponta desigualdades na participação de inventores. Apenas 15% dos inventores identificados nas patentes analisadas são mulheres, enquanto entre depositantes pessoas físicas a participação feminina é ainda menor, representando cerca de 2% do total. Os dados refletem um padrão observado em diversos setores tecnológicos intensivos em pesquisa e desenvolvimento.

Na análise internacional, o radar identifica 14.403 famílias de patentes relacionadas a tecnologias de energia para satélites, com crescimento significativo desde o início dos anos 2000. A China lidera os depósitos globais, seguida por outros países com forte investimento no setor espacial. No Brasil, foram identificados 124 pedidos nessa área, cerca de 1% do total mundial. Já no campo da propulsão espacial, o estudo contabiliza 6.541 famílias de patentes no mundo, com liderança compartilhada entre China e Estados Unidos. No país, foram registrados 39 pedidos, equivalentes a aproximadamente 0,6% das tecnologias identificadas globalmente. O radar é acompanhado por um painel interativo que permite explorar os dados detalhados do levantamento.

ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

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