Caixa lança plataforma para cortar CO₂ e custos em obras do Minha Casa, Minha Vida

A Caixa Econômica Federal lançou, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), uma plataforma digital para medir o carbono incorporado em empreendimentos habitacionais financiados pelo banco. Apresentada no evento “Habitação de baixo carbono: experiências globais e soluções locais”, em São Paulo, a ferramenta — batizada de Benchmark Iterativo para Projetos de Baixo Carbono (BIPC) — pretende orientar o redesenho estrutural das obras para reduzir emissões de CO₂ e, ao mesmo tempo, baratear o custo das construções, com foco inicial nos projetos do Minha Casa, Minha Vida.

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A BIPC avalia o impacto ambiental dos empreendimentos de acordo com tipologia construtiva, número de pavimentos, elementos estruturais (como vigas e pilares) e materiais utilizados, permitindo comparar diferentes projetos com as melhores práticas de mercado. Segundo o coordenador do projeto, o professor da Escola Politécnica da USP Vanderley Moacyr John, a lógica é simples: ao otimizar o uso de materiais, diminui-se a pegada de carbono e o custo final da obra, o que é decisivo num país em que milhões de famílias ainda não têm casa própria. A padronização do Minha Casa, Minha Vida é vista como oportunidade para ganhar escala nessas reduções.

De acordo com a Caixa, que responde por cerca de 80% do financiamento imobiliário no país, a nova plataforma também irá subsidiar políticas habitacionais com informações sobre sustentabilidade e estimular o setor privado a adotar soluções mais limpas. A ferramenta terá ainda uma área aberta ao público, com linhas de base de carbono para diferentes tipos de construção. O presidente do banco, Carlos Vieira, lembrou que a construção civil representa cerca de 10% do PIB e entre 20% e 25% dos empregos no Brasil, e afirmou que a iniciativa ajuda a democratizar o acesso à mensuração do impacto ambiental das obras.

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Além da BIPC, a Caixa anunciou novos compromissos em desenvolvimento sustentável. Até 2030, o banco projeta ampliar em 50% sua carteira de crédito verde, alcançando saldo de R$ 1,25 trilhão em operações com impacto positivo socioambiental. A instituição também estabeleceu metas de diversidade, como ter ao menos 36% dos cargos de chefia ocupados por mulheres até 2030, mantendo a exigência de que um terço dos postos de alta gestão seja feminino. No horizonte de 2050, o objetivo é chegar a emissões líquidas zero — tanto diretas quanto associadas às operações financiadas — e adotar um modelo de economia circular que minimize resíduos enviados a aterros e elimine o envio para incineração.

ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

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