CCBB RJ exibe mostra cartográfica até junho

CCBB RJ
Orbys Typus Universalis Tabula, 1511, de Jeronimo Marini, primeiro mapa a trazer o nome ‘Brasil’. Manuscrito em pergaminho (CCBB RJ – divulgação)

Aberta no Centro Cultural Banco do Brasil – Rio de Janeiro (CCBB RJ) desde semana passada, a exposição Brasil no [Centro do] Mapa apresenta 22 preciosidades da cartografia mundial, desde o século 16 até os dias de hoje. Em cartaz até 20 de junho com entrada franca, a mostra insere-se nas comemorações pelos 200 anos da Independência do Brasil e parte de um questionamento do curador da exposição, Paulo Protásio: “E se, ao menos para nós, o Brasil fosse o centro do mundo?”

A partir dessa pergunta, Protásio traça um roteiro usando mapas famosos e mostrando como o território que hoje é o Brasil foi sendo representado, desde o primeiro mapa com o nome Brasil, nos primórdios da cartografia, até as diferentes peças cartográficas ao longo da nossa história. A exposição no CCBB RJ, que conta com consultoria do geógrafo André Alvarenga, tem a proposta de colocar no centro da perspectiva global um país diferenciado do resto do mundo, tanto em relação a muitas de suas riquezas como em traços geográficos.

Protásio lembra que as regiões turísticas são outro ponto que o Brasil precisa salientar, com rios, frente marítima, lagoas, montanhas, florestas. “Tudo isso é expressão de fazer diferença. O Brasil tem mais cobertura do que qualquer outro lugar do mundo em termos de vegetação. Por que não colocar isso como referência? A cartografia pode representar essas conquistas todas”, afirma.

Leia também:

“Faz com que a gente tenha outra visão da área continental, o que é muito importante, porque a proposta de mercado que produzimos no Brasil é praticamente europeia, a Europa está no centro. Esse fato acaba criando uma distorção na cabeça das pessoas e faz com que a gente seja só Atlântico quando, na verdade, pertencemos a um continente que é bioceânico e está em uma relação Pacífico e Atlântico”, diz Protásio, nomeado no ano passado diretor executivo da Autoridade do Desenvolvimento Sustentável.

Para Protásio, o conceito da exposição está ligado à ideia de que o mundo está mudando, e o papel do Brasil será cada vez mais importante, principalmente para os próprios brasileiros. “Estou pensando na criança, no brasileiro que vai à escola pela primeira vez e que verá uma apresentação cartográfica. Esse é o nosso propósito”.

O curador salienta que a cartografia ratifica que seus referenciais são essenciais para quase todas as áreas e que é imperativa a necessidade de se inteirar dessa ciência, desde mapas feitos a mão até os sistemas tecnológicos atuais.

Tesouros cartográficos no CCBB RJ

A mostra traz alguns tesouros da cartografia:

  • Carta Rogeriana – marca o período de transição entre a fase em que o Mediterrâneo era dominado por muçulmanos e a retomada por cristãos europeus;
  • Mapa de Ebstorf – maior do período medieval, com o Oriente no topo;
  • Mapa Genovês – com a forma da Arca de Noé, Jerusalém no centro e o corpo de Cristo em cruz como Rosa dos Ventos. Marca o fim do período medieval e a entrada na Renascença, além de ser um dos primeiros a apontar a possibilidade de se chegar às Índias pelo contorno da África;
  • Mapa de Johannes Scnitzer – exemplar da redescoberta do livro Geographia, de Ptolomeu, diretor da Biblioteca de Alexandria no século 2 d.C;
  • Planisfério de Juan de la Cosa – elaborado pelo navegador que acompanhou Cristóvão Colombo, foi o primeiro mapa a mostrar o continente americano;
  • Mapa de Alberto Cantino, de 1502 – primeiro a mostrar o litoral do Brasil, chamado no mapa de Vera Cruz;
  • Mapa de Jerônimo Marini, de 1511 – primeiro a trazer o nome Brasil (no topo da página);
  • Terra Brasilis, de Lopo Homem e Antonio de Holanda, de 1519 -traz um delineamento completo da costa brasileira, mostra a embocadura do Rio da Prata e representa os índios cortando pau-brasil, entre outras raridades (abaixo).

Terra Brasilis, de Lopo Homem (1519), uma das raridades da mostra em cartaz no CCBB RJ (domínio público).

Os visitantes do CCBB RJ poderão conhecer ainda a Cartografia de Anna Bella Geiger, com um vídeo inédito e três obras da série de cartografia da artista plástica, que foi casada com o geógrafo brasileiro Pedro Geiger e, na década de 70, tornou-se mundialmente conhecida por um trabalho único com mapas. “Ela fez um Atlas do Novo Mundo, um mundo diferenciado. Essa provocação é apropriada para o momento que a gente está vivendo e que a relação arte-cartografia continua cada vez mais abrangente”, diz Paulo Protásio.

Na programação, um seminário de três dias sobre o tema. Como explica Protásio, “o Brasil, para ir para o centro do mundo, não pode ir só por conta de graça ou interesse ou porque é centralizado, como os demais países do mundo podem fazer o mesmo tipo de mapa. O Brasil precisa se olhar de forma mais próxima, por exemplo, como destaque no campo da energia renovável, não poluente. A gente tem valor e expressão de enorme importância. Isso tem que ser observado, transmitido e transferido para outros públicos e o mundo”.

O CCBB RJ fica na rua Primeiro de Março, 66, no centro do Rio, e funciona 2as, 4as, 5as, 6as e sábados, das 9h às 21h, e domingos, das 9h às 20h.

Fonte: Agência Brasil e CCBB RJ

Veja também

Geo e Legislação

China inaugura era dos supercomputadores espaciais com constelação de IA orbital

A China avançou na corrida tecnológica global ao lançar os primeiros 12 satélites da Constelação de Computação Três Corpos, um projeto ambicioso que levará ao espaço uma rede com capacidade de processar um quatrilhão de operações por segundo. Desenvolvido pela startup ADA Space em parceria com o Zhejiang Lab, o