Ceará aposta em dados georreferenciados contra criminalidade

Criminalidade
Painel Dinâmico georreferenciado com estatísticas de criminalidade do Ceará (reprodução).

O chefe da Gerência de Estatística e Geoprocessamento (Geesp) da Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp) do Ceará, Franklin Torres, falou sobre as vantagens de combater a criminalidade com dados estatísticos, análises criminais, mapas, séries temporais, dashboards e outras informações georreferenciadas.

Torres conta que a Supesp, órgão vinculado à Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE), foi criada em 2018 como única instância oficial para compilação e divulgação de dados estatísticos da SSPDS/CE. O órgão é responsável não apenas pela geração dos dados, mas, principalmente, por sua leitura detalhada e científica. Esse trabalho permite uma compreensão mais precisa da criminalidade, trazendo vantagens para o dia a dia dos agentes de segurança e ajudando na tomada de decisão dos gestores e na elaboração de políticas públicas para a segurança pública no Ceará.

Disponibilizados como dados abertos (formatos PDF e XIs) para pesquisadores, jornalistas e público em geral, as informações sobre criminalidade no Estado compõem um Painel Dinâmico com estatísticas consolidadas atualizadas mensalmente, no próprio site da Supesp.

Leia também:

Em uma conversa para o site do governo do Ceará, Torres lembra que o trabalho de combater a criminalidade com estatísticas começou bem antes, em 2009: “Quando começamos com a estatística, primeiro, conhecemos a base de dados. Os sistemas utilizados eram poucos e o acesso era muito difícil. A partir daí, vieram os treinamentos e a aquisição de softwares. Passamos, então, a compilar e tratar os dados com mais precisão para a elaboração de estratégias internas pelos gestores e, posteriormente, externas pelas forças de segurança”.

Segue, abaixo, um recorte da entrevista concedida ao site pelo responsável da Supesp:

Como a tecnologia ampliou o alcance da estatística? De forma prática, como os sistemas avançaram e como contribuem para uma melhor análise de dados para serem aplicados à segurança pública?

Os sistemas avançaram bastante no sentido de alcance. O Sistema de Informação Policial (SIP) da PC-CE, por exemplo, era restrito à cidade de Fortaleza e aos grandes municípios e, em seguida, foi universalizado para os municípios menores com a versão 3W, em 2014. Com isso, foram homogeneizadas as versões do sistema. A cada mudança, automaticamente, já há a implementação em todas as delegacias. Com o desenvolvimento da tecnologia e ampliação desse trabalho, conseguimos informações estruturadas e homogêneas. Dessa forma, evoluímos bastante na questão do georreferenciamento, que nos possibilita a apresentação das manchas criminais. Hoje, temos o sistema Status (Sistema Tecnológico para Acompanhamento de Unidades de Segurança), que nos fornece dados de forma rápida e intuitiva.

Como as capacitações promovidas pela Geesp junto às forças policiais surtem efeito na prática, no dia a dia nas ruas?

As capacitações proporcionam que a gente dê mais autonomia às forças vinculadas da SSPDS-CE. Ao invés de depender do fornecimento de dados da Geesp, as próprias forças de segurança conseguem gerar seus dados, mapas, manchas criminais, de forma rápida e autônoma. Só precisa das atualizações. Isso é uma via de mão dupla, que gera benefícios para ambas as partes. Os agentes têm um acesso mais rápido e nós ficamos com mais tempo para trabalhar em outras atividades, no aprimoramento das bases de dados, no desenvolvimento de novas estatísticas e análises, dando assim maior capilaridade em termos de estatísticas.

Como os sistemas Status, SPWeb e Painel Dinâmico ajudam aos agentes de segurança na formulação de estratégias de segurança e combate à criminalidade?

Os sistemas ajudam na formulação de estratégias, quando eles acompanham os números de cada localidade de sua área no painel dinâmico. Com os sistemas, identificamos quais áreas são mais críticas, quais os horários das ocorrências, quais os dias da semana, qual a distribuição e mapeamento, e a polícia consegue atuar de forma mais planejada. Como toda estrutura funciona agora de forma homogênea, temos a unificação de informações de modo rápido e preciso.

Fonte: SSPDS

Veja também

Agro e Ambiental

Startup propõe o “CEP” das lavouras brasileiras

Uma nova startup pretende, agora que chegou ao Brasil, viabilizar o compartilhamento de dados coletados em campo para acelerar a transição para um sistema alimentar positivo para a natureza. Por meio da ferramenta “Global Field ID”, a empresa vai mapear todo o território agrícola mundial e estabelecer uma identificação única

Não perca as notícias de geoinformação