Ricardo Santin: “Conservamos muito o ambiente e precisamos mostrar com dados”

Conservamos
Para Ricardo Santin, presidente da ABPA, é fundamental mostrar com dados o que conservamos da vegetação nativa – imagem: arquivo ABPA.

Às vésperas de realizar mais um Salão Internacional de Avicultura e Suinocultura (SIAVS), um dos maiores eventos internacionais do setor de proteína animal e que começa amanhã em São Paulo com representantes de todo o mundo, o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, diz ao Geocracia que a mensagem que o agronegócio brasileiro quer passar ao mundo é de que “não pode haver fronteiras para os alimentos, que o Brasil tem a sustentabilidade no seu DNA e está preparado para ser parceiro das indústrias no mundo pela segurança alimentar”.

Em um momento em que o mundo começa a temer por uma crise de escassez de alimentos, Santin, que é vice-presidente do International Poultry Council – IPC, reconhece a importância de o Brasil dispor de dados confiáveis e atualizados para comprovar a origem dos seus produtos agrícolas: “Hoje, a avicultura e a suinocultura de integração já têm rastreabilidade documental de toda a sua cadeia de produção. Mas apoia a centralização de informações oficiais que hoje são desempenhadas pela Embrapa. Conservamos muito e precisamos mostrar isso com dados”, afirma o presidente da associação que congrega os principais produtores de proteína animal do planeta, como a JBS, a BRF e a Aurora.

Acompanhe a seguir a entrevista na íntegra.

Nos últimos anos, aumentaram as acusações ao Brasil sobre desmatamento e, consequentemente, as pressões sobre o agronegócio brasileiro, muitas vezes com denúncias baseadas em má informação. Enquanto isso, o Estado brasileiro, que poderia fornecer dados para contrapor muitas dessas acusações, não dispõe de mapas para a totalidade do território nacional nem na escala básica de 1:100.000, gera dados de várias fontes sem integrá-los e nem definiu quem deveria cuidar dessa integração. Como uma entidade que representa um segmento do agronegócio fortemente exportador, altamente tecnológico e que poderia estar rastreando a avicultura e a suinocultura em tempo real para provar sua procedência avalia este cenário?

É preciso destacar, primeiramente, o trabalho exemplar que a Embrapa Territorial – liderada pelo seu ex-chefe, o pesquisador Evaristo de Miranda – tem feito para apresentar um amplo mapeamento do território brasileiro. É um trabalho de excelência que reforça e ilustra o que o setor tem destacado constantemente sobre a preservação ambiental promovida pelo Agro Brasileiro, e que desfaz alguns mitos.

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Mas é fundamental seguir avançando. Mais estudos e mapeamentos mais profundos são primordiais para que o nosso país siga reforçando a sua posição como nação que produz e preserva, diferente do que ocorre em outros lugares do planeta.

Mapeamentos mais completos e profundos são importantes para avançarmos, também, com foco na ampliação da produtividade, logística e outros pontos em prol da otimização de recursos, o que favorece o desenvolvimento sustentável tanto do ponto de vista ambiental, como econômico.

Hoje, a avicultura e a suinocultura de integração já têm rastreabilidade documental de toda a sua cadeia de produção. Mas apoia a centralização de informações oficiais que hoje são desempenhadas pela Embrapa. Conservamos muito e precisamos mostrar isso com dados.

Na sequência do tsunami em Bali, o governo da Indonésia percebeu que precisava unificar a governança de mapas públicos e criou o One Map Policy. Por conta disso, um país que sofria boicotes internacionais por conta de queimadas e desmatamentos passou a poder comprovar a procedência de seus produtos, saiu da lista negra do comércio de alimentos e conseguiu valorizar suas commodities em mais de 100%. O setor Agro, o maior beneficiado por uma política dessas, está se articulando para pressionar o Executivo e o Legislativo sobre a importância desse tema?

No caso do setor de proteína animal, temos apoiado esta iniciativa por meio do Ministério da Agricultura. O setor agropecuário e o governo brasileiro têm reforçado as ferramentas que proporcionem cada vez mais transparência sobre a procedência de seus produtos e das commodities. Há passos a serem dados, mas consideramos um tema de alta relevância.

Em agosto, após um hiato alargado por conta da pandemia, a ABPA realizará em São Paulo uma nova edição do SIAVS, um dos mais importantes eventos de proteína animal do mundo, com a presença de expositores, especialistas e jornalistas estrangeiros. Qual a mensagem da produção de proteína animal brasileira para interlocutores desconfiados num mundo que já começa a falar da possiblidade de uma crise de escassez de alimentos?

A principal mensagem é de que não pode haver fronteiras para os alimentos, porque o Brasil tem a sustentabilidade no seu DNA e está preparado para ser parceiro das indústrias no mundo pela segurança alimentar.

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