Cresce uso de dados alternativos geolocalizados entre gestoras de fundos

dados alternativos
Imagem: Pete Linforth – Pìxabay

Uma reportagem especial no site TradeMap revela que os gestores de fundos de investimentos estão buscando cada vez mais dados alternativos de geolocalização para complementar informações tradicionais na tarefa de aconselhar seus clientes. Diferentes dos dados tradicionais para análise empresarial – em geral, informação oficial, como balanços de empresas e indicadores macroeconômicos ligados ao negócio avaliado (inflação, desemprego etc) –, dados alternativos se valem de muito ‘pensamento fora da caixa’ e fontes aparentemente sem valor, como geoinformação.

A geoinformação é, aliás, o mote de um dos casos mais famosos da utilização de dados alternativos em análise de investimentos. Ele aconteceu em 2018, quando, usando uma ferramenta de rastreamento de voos, uma empresa de gestão de fundos dos Estados Unidos percebeu o jatinho de uma petrolífera pousado no aeroporto de Omaha, Nebraska, cidade onde vive o bilionário Warren Buffett. Investidores clientes da empresa receberam essa informação e deduziram que a petrolífera estaria buscando financiamento para adquirir uma concorrente. 

De fato, dois dias depois, Buffett anunciou investimentos de US$ 10 bilhões na companhia dona do jatinho, que, imediatamente, registrou uma valorização nas suas ações. Isso fez a alegria de alguns dos clientes da empresa de análise que compraram ações a um valor mais baixo.

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Usar informações aparentemente sem serventia para enriquecer análises de investimentos é uma atividade cada vez mais valorizada no mercado, pois oferece visões complementares sobre abordagens muito parecidas. Sem tempo e recursos para buscar dados alternativos, a maioria das instituições de mercado avalia apenas dados tradicionais. Mas quem consegue abstrair e inserir dados alternativos na equação leva vantagem.

Por isso, cresce o número de empresas que investem na montagem de equipes e ferramenta de análise de dados alternativos. Para Maurício Irie, superintendente de Inteligência Quantitativa da SulAmérica, 80% dos dados usados pelo mercado, hoje, são tradicionais e apenas 20% são alternativos, mas estes últimos devem crescer em relevância e chegar a 30%. “São nesses dados que estão a diferenciação de uma análise”, afirma. 

Dados alternativos focados em geolocalização

Segundo a reportagem da TradeMap, a Sulamérica é uma das gestoras que decidiu investir em dados alternativos. Há alguns meses, a empresa resolveu montar uma ferramenta para analisar palavras usadas em notícias e estabelecer relações com os movimentos de mercado. A ferramenta ainda não está sendo usada para analisar empresas, mas o objetivo é esse.

A tarefa não é simples, já que palavras têm um grau de subjetividade grande. “Se eu faço um estudo das palavras mais comuns e aparece a palavra manga, como vou saber que é a manga fruta ou a manga da camisa?”, exemplifica Irie. 

Co-gerida pela XP desdde 2020, a Giant Steps é outra empresa do setor que está apostando em dados alternativos. O trabalho começou em 2018, mas a empresa só adquiria bases de dados estrangeiras. A partir de 2020, porém, passou a investir na construção da sua própria base, em fase final de construção e que será focada em geolocalização, capaz de monitorar o fluxo de pessoas em estabelecimentos comerciais, como lojas de rua ou shopping centers.

Outras gestoras, como Encore, trabalham dados de órgãos públicos como agências reguladores, ministérios e autarquias. As informações estão, de fato, disponíveis para qualquer um, mas, geralmente, é preciso procurar agulhas no palheiro. “São planilhas que, às vezes, chegam a 2 bilhões de linhas e não abrem no Excel. Mas pode ter algo ali que pode gerar algum valor”, afirma Francisco Muniz, analista quantitativo da Encore, empresa que também recorre a dados de cidades e regiões onde empresas de varejo abrem lojas para medir o potencial de sucesso dessas iniciativas.

Fonte: TradeMap 

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