Edmílson Volpi: Mapeando o inferno de Dante, a topografia do tormento

Imagem: Mapa do Inferno, de Sandro Botticelli, domínio público

“…descobri-me à borda de insondável e teneboso abismo, do qual subiam brados e infindos ais. Tão escuro, profundo e nebuloso era tal pélago que, por mais aceso eu nele fixasse o olhar, coisa alguma reconhecia”.

Esta é a visão que saúda o autor e protagonista Dante Alighieri, no Canto IV de Inferno, o primeiro círculo e a primeira parte do poema épico A Divina Comédia, do século 14. Além de estar entre as maiores obras literárias italianas, A Divina Comédia também marcou a mania da “cartografia infernal”, ou o mapeamento do Inferno que Dante havia criado, como destaca Anika Burgess, em reportagem para o Atlas Obscura.

O desejo de mapear a localização e os detalhes do Inferno começou com Antonio Manetti, um arquiteto e matemático florentino do século 15 que trabalhou diligentemente para estabelecer “local, forma e medidas” do Inferno, avaliando a largura do Limbo em 140,8 km de diâmetro. Até Galileo Galilei deu sua contribuição, com duas palestras em que confirmou os cálculos de Manetti. E ele não foi o único peso-pesado da Renascença a tentar fazer a cartografia do inferno. No final do século 15, o célebre pintor Sandro Botticelli foi contratado para criar uma série de ilustrações para a obra de Dante. Seu Mapa do Inferno (imagem acima) é uma paisagem ricamente detalhada que descreve círculos em um funil escalonado cheio de cenas específicas do poema.

Lei no original aqui.

Tradução para o português aqui.

Edmilson M. Volpi é engenheiro Cartógrafo e editor da página Curiosidades Cartográficas no Facebook e Instagram

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