Edmilson Volpi: o primeiro atlas da história

Theatrum Orbis Terrarum, 1572, planisfério (domínio público)

Data de 1570 a primeira compilação de mapas em um Atlas, conforme a concepção moderna que se dá a esse tipo de trabalho, caracterizado por uma coleção sistemática de mapas de tamanho e estilo uniformes.

Seu nome, Theatrum Orbis Terrarum, significava literalmente “Teatro do Mundo”, e seu autor foi célebre cartógrafo do século 16 Abraham Ortelius. Nascido em Antuérpia, na Bélgica, ele é conhecido por ser um dos pais da cartografia flamenga, junto com Gerardus Mercator.

Até o surgimento do Theatrum Orbis Terrarum, portugueses e espanhóis, os principais navegadores da época, guiavam-se por cartas desenhadas individualmente em pergaminhos decorados com bordas ornamentadas, além de escudos e brasões elaborados.

Eram, no entanto, de difícil manuseio e pouco práticos, pois precisavam ser desenrolados e enrolados a cada utilização. 

Os portugueses chegaram a reunir mapas manuscritos costurados em volumes, mas tecnicamente não chegava a ser um atlas, já que nele não havia texto ou o texto não estava integrado à imagem, como seria de esperar de um atlas.

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A obra de Ortelius era, na verdade, um compêndio de 70 mapas feitos por outros cartógrafos, com todos os mapas no mesmo estilo e placas de cobre do mesmo tamanho (aproximadamente 35 x 50 cm) para sua realização.

Além disso, estavam ordenados logicamente por continentes, regiões e estados, e eram acompanhados de comentários descritivos e referências no verso oriundas de fontes clássicas, descobertas recentes e ajuda de outros cartógrafos.

Ortelius começou a trabalhar em uma coleção de mapas coloridos à mão e em xilogravura . No verso de cada mapa ele adicionava uma descrição de cada uma das regiões e países, bem como informações sobre seu clima, gastronomia, costumes, etc.

Leia a publicação original aqui e a tradução aqui.

Edmilson M. Volpi é engenheiro cartógrafo e editor da página Curiosidades Cartográficas no Facebook Instagram

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