Egito e Indonésia constroem novas capitais

Concepção artística da nova capital Indonésia (imagem – Ministério das Obras Públicas e Assentamentos Humanos da Indonésia)

As dores da superpopulação estão levando dois países bem distantes um do outro – Egito e Indonésia – a tomarem a mesma decisão: mudar suas capitais. No Egito, os primeiros moradores a se transferirem do Cairo para a mega cidade em construção (e ainda sem nome definido) devem começar a chegar em junho, já que a primeira fase das obras está quase terminada. Na Indonésia, o nome da nova capital, Nusantara (arquipélago, em indonésio), foi anunciado na semana passada. As obras começam este mês e a inauguração está prevista para 2024.

No cerne da decisão dos dois países estão os efeitos perversos da superpopulação. Na Indonésia, embora a mudança da capital esteja prevista desde os anos 60, a verdade é que Jacarta vive sérios problemas de poluição e ameaças geológicas – a cidade está afundando graças à extração desordenada de água subterrânea e inundações provocadas por chuvas. Com mais de 270 milhões de habitantes vivendo em 17 mil ilhas, a Indonésia é um dos países mais populosos do mundo, mas a ilha de Java (onde está Jacarta), pouco menor que estado do Amapá, concentra 60% dos indonésios (quase 150 milhões de habitantes). Só em Jacarta, são 10 milhões.

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Em Bornéu, harmonia entre homem, natureza e Deus

Assim, a nova capital que começa a ser construída ao custo de US$ 40 bilhões ficará 1.200 km a nordeste, na ilha de Bornéu. As obras deveriam ter começado em 2019, mas a pandemia atrasou o cronograma. Com um ar futurista e cheia de tecnologia, carros elétricos e monotrilhos, Nusantara impressiona e promete ser uma cidade inteligente repleta de recursos de inteligência artificial.

Ambientalistas, no entanto, estão preocupados, pois o novo centro ocupará 1,8 mil km2 de uma região de florestas e povos nativos. Mas, de acordo com declarações ao South China Morning Post pelo ministro do Planejamento, Bambang Brodjonegoro, não há nada a temer: “Não vamos afetar nenhuma floresta protegida. Em vez disso, vamos reabilitá-las”. Segundo o arquiteto da nova cidade, a ideia é redescobrir as filosofias Tri Hita Karana, de Bali, Tri Tangtu, sundanesa, ou Catur Gatra Tunggal, de Java. “A Indonésia tem uma filosofia espacial comum dessa noção, de criar uma relação harmoniosa entre o homem, a natureza e nosso relacionamento com Deus”, diz Sibarani Sofian a uma revista de arquitetura.

No deserto, a glória revivida do tempo dos faraós

No Egito, o problema é semelhante. A cidade do Cairo tem mais de 9 milhões de habitantes e vive um caos urbano, sobretudo em termos de trânsito. A solução egípcia, no entanto, é climaticamente oposta. A nova capital está sendo edificada a apenas 45 km a leste do Cairo, no meio do deserto. Terá 700 km2 dos quais 170 km2 já estão mais da metade concluídos. É lá que os novos moradores irão se estabelecer dentro de alguns meses. Quando estiver totalmente pronta, a nova capital deverá abrigar cerca de seis milhões de habitantes.

O projeto egípcio não é tão grande como o indonésio, mas nem por isso menos ousado e impressionante. São US$ 60 bilhões de investimentos em obras, que incluem um aeroporto e uma linha férrea até o Cairo, além de museus, mesquitas, catedral copta e até estádios esportivos, já que o Egito pretende ser em alguns anos o primeiro país africano a sediar uma Olimpíada. No vídeo abaixo (em inglês), é possível ver a dimensão da nova capital, uma cidade totalmente planejada e que respeita a história do Egito, remontando à grandiosidade dos tempos dos faraós.

A cidade contará ainda com um forte sistema de vigilância por câmeras e um complexo de alta segurança, uma espécie de Pentágono egípcio, mas ainda maior que o original americano. Tudo está sendo conduzido pelo Exército, que toca as obras e tem forte presença na condução do país.

Fontes: CNN, R7, Folha, De51gn, Forbes

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