Geraldo Barboza de Oliveira Junior, no portal Saiba Mais, lançou luz sobre as contradições entre a promessa de um futuro verde e os impactos sociais silenciosos da expansão das energias renováveis. Em meio à corrida pela descarbonização, o discurso empresarial em torno do ESG parece cada vez mais sofisticado, mas a prática no território expõe uma realidade desconfortável: comunidades vulneráveis pagam a conta de uma modernidade que não as inclui.
O texto denuncia que a geração de energia limpa frequentemente se instala sobre territórios tradicionalmente ocupados por agricultores familiares, pescadores, povos indígenas e comunidades quilombolas. Com isso, surgem novas formas de exclusão e deslocamento, agora associadas a projetos ambientalmente “corretos”. A crítica recai sobre o “S” do ESG, que, embora exaltado em relatórios de sustentabilidade, falha em garantir processos participativos genuínos e respeito às dinâmicas locais.
Outro ponto central é o impacto das linhas de transmissão, muitas vezes ignorado pelos investidores e pelo público urbano. Essas infraestruturas cruzam paisagens humanas e ecológicas com consequências irreversíveis: desmatamento, fragmentação de territórios, perda de renda e desequilíbrio social. A governança, terceiro pilar do ESG, falha ao licenciar os projetos de forma compartimentada, impedindo a análise integrada dos danos cumulativos.
O autor propõe uma mudança de perspectiva: empresas que realmente desejam aderir ao ESG precisam incorporar a variável territorial, adotar consultas prévias e mecanismos de distribuição de benefícios que transcendam a compensação financeira. A transição energética é necessária, mas só será justa se iluminar também os caminhos da equidade, da escuta e do respeito aos direitos coletivos.
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