Geodésia: ProGrid Online converte coordenadas antigas para SIRGAS2000

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Agora online, ProGrid converte coordenadas de sistemas antigos para a referência nacional – imagem: IBGE

O IBGE lançou na última terça (29) o ProGriD Online, aplicação que converte coordenadas dos sistemas de referência clássicos adotados anteriormente no Brasil – como Córrego Alegre e SAD 69 – para o SIRGAS2000, sistema de referência utilizado em todo o território nacional desde 2005. O ProGriD Online substitui a versão desktop, criada em 2009 e que não foi atualizada para as novas versões do ambiente Windows.

Acessível pelo Portal do IBGE, a ferramenta online também aceita diferentes formatos de coordenadas e, na comparação com a versão desktop, oferece ao usuário uma significativa melhora no desempenho do serviço graças ao cálculo online. Com a nova aplicação web, o tempo médio de resposta é de aproximadamente um minuto para arquivos com 100 mil pontos. Desse modo, grandes volumes de informações podem ser submetidos com expectativa de resposta em poucos minutos, dependendo da conexão de internet do usuário.

Ainda para este ano está prevista a divulgação da API (Aplication Program Interface – ou interface de integração entre sistemas) do ProGriD, o que irá facilitar que desenvolvedores transformem coordenadas entre sistemas de forma transparente para os usuários de suas aplicações.

Além de desatualizada, a versão desktop apresentava problemas na transformação usando grades e exigia muito tempo na transformação de uma grande quantidade de pontos. A manutenção por parte do IBGE passa a ser mais simples do que no caso do software para desktop, e a ferramenta online pode ser executada a partir de diferentes plataformas e sistemas operacionais, não ficando limitada ao Windows.

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Acompanhando a evolução tecnológica da Cartografia mundial, o IBGE, como gestor do Sistema Geodésico Brasileiro (SGB), adotou o sistema de referência SIRGAS2000 em fevereiro de 2005, decisão oficializada por meio da Resolução do Presidente do IBGE Nº 1/2005, alterando a caracterização do Sistema Geodésico Brasileiro.

A resolução de 2005 também estabeleceu um período de transição de dez anos (de 2005 a 2015) para adoção do novo referencial geodésico no país. Como o IBGE é responsável por prover essas coordenadas de referência para qualquer atividade de georreferenciamento de precisão no país – como obras de infraestrutura –, o Instituto teve de publicar, nesse período, as coordenadas, tanto no sistema anterior SAD 69 quanto no novo SIRGAS2000.

“O período de tolerância foi grande, dez anos, mas foi necessário para que todos se capacitassem tecnologicamente e convertessem suas informações para o novo referencial, compatível com os Sistemas Globais de Navegação por Satélites [GNSS – Global Navigation Satellite Systems, na sigla em inglês], em que o GPS [Global Positioning System, sistema norte-americano] é o mais popular”, esclarece Sonia Maria Alves Costa, coordenadora de Geodésia e Cartografia do IBGE.

Até anos 90, obter coordenadas levava meses

Sonia explica que, até o início dos anos 1990, o processo de obtenção de coordenadas estava concentrado em profissionais como topógrafos e engenheiros agrimensores ou cartógrafos. Eles realizavam medições utilizando procedimentos e equipamentos óticos e extensivos cálculos para se obter um par de coordenadas de um ponto na superfície de um sólido, o elipsóide, representação matemática mais próxima da superfície da Terra.

“Essas atividades duravam meses, desde a realização das medições no campo até a conclusão do cálculo. Além disso, cada país adotava o seu próprio sistema de referência, tornando complexo o compartilhamento de informações geográficas em regiões de fronteira. Com a utilização cada vez maior dos GNSS, houve uma grande revolução nas atividades de georreferenciamento, permitindo que qualquer pessoa com um simples smartphone obtivesse coordenadas no mesmo sistema de referência em qualquer lugar do planeta”, destaca a coordenadora.

Segundo Sonia, o desafio é compatibilizar tudo o que foi produzido em mapas e cartas criados nos sistemas de referência antes da era do GNSS: “No Brasil, isso significa dezenas de metros entre um mesmo ponto representado no sistema de referência SAD69 e no SIRGAS2000. A grande maioria da nossa cartografia está referida nesses sistemas. As décadas de 1980 e 1990 foram a época em que mais se produziu cartografia no país. Depois disso, houve um enxugamento nos nossos recursos, para produção e atualização dessa cartografia. O resultado é que muita coisa do acervo brasileiro está ainda respaldada nesses referenciais antigos”.

O GPS é o mais popular e conhecido GNSS, mas há outros como o GLONASS (sistema russo), o Galileo (europeu) e o BeiDou (chinês). Essa tecnologia é utilizada em conjunto ou separadamente, na obtenção de coordenadas tridimensionais (latitude, longitude e altitude elipsoidal ou geométrica).

Fonte: Agência de Notícias IBGE

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