Geoportal da UFRN busca compreender estrangeirização do Matopiba

Trabalho desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Estudos Urbanos e Regionais (PPEUR/UFRN) busca compreender o processo de estrangeirização de terras no Matopiba, acrônimo que denomina a região que se estende por territórios de quatro estados do Brasil: Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. A pesquisa, fruto do doutorado de Elayne da Silva Figueredo, orientado pela professora Joana Tereza Vaz de Moura, do Instituto de Políticas Públicas (IPP/UFRN), resultou na criação do Portal OSMat.

O espaço virtual é um Sistema de Informação Geográfica (SIG Web), construído em parceria com o grupo de pesquisa Inteligência Computacional e Aplicações Robóticas (Ícaro), do Instituto Federal do Maranhão (IFMA). Liderado pelo professor Bruno Vicente Alves de Lima, o sistema visa explorar a Inteligência Geoespacial de código aberto.

Due Diligence

De acordo Elayne Figueredo, a estrangeirização do Matopiba é um processo de aquisição de larga escala de terras por agentes internacionais. “Isso é um assunto cada vez mais discutido por ser uma região de grande potencial agrícola no território brasileiro. Durante o estudo, buscamos identificar a nacionalidade dos atores sociais que estavam envolvidos nesse processo e entender quais os impactos sobre o mercado de terras”, explica.

O nome da ferramenta, OSMat, deriva de Open Source Intelligence Matopiba, que reflete a abordagem de aproveitar fontes de dados públicos para entender a estrutura fundiária e ambiental da região. “Nossa aplicação oferece uma visão detalhada e acessível do território, possibilitando análises informadas. Estamos animados para ver como o portal OSMat contribuirá para uma compreensão mais profunda e informada do Matopiba”, comenta Figueredo.

Estruturalmente, a página compreende duas seções distintas. A primeira, homepage, descreve os pesquisadores envolvidos no desenvolvimento do site e fornece informações de contatos úteis. Na segunda seção, é necessário efetuar o login prévio para acesso ao geoportal que abriga uma variedade de dados geoespaciais relacionados à área do território do Matopiba.

Todos os dados utilizados foram coletados no período de 2020 a 2022, sendo obtidos de forma aberta e gratuita em diferentes bases de dados. Foi utilizado o acervo público do Instituto de Reforma Agrária (Incra) em 2021, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2021 e 2022, e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2020, 2021 e 2022.

“Os dados disponíveis na plataforma geoespacial estão diretamente relacionados a essa temática, abrangendo aldeias indígenas, terras indígenas em estudo, unidades de conservação, áreas quilombolas, terras indígenas homologadas e não homologadas, biomas, assentamentos públicos e a delimitação espacial do território do Matopiba conforme o Decreto Nº 8447/2015”, relata Elayne.

Servindo não apenas como meio de divulgação aberta dos dados da pesquisa, a plataforma contribui para o desenvolvimento de outras pesquisas relacionadas a questões socioambientais no território do Matopiba. “Sua natureza geoespacial facilita o entendimento e acesso aos dados cartográficos, sendo especialmente útil para aqueles que não possuem familiaridade com o manuseio de informações geoespaciais”, reforça a pesquisadora.

Por UFRN

Veja também

Geo e Legislação

OTAN lança o maior programa de dados espaciais de sua história

Dezesseis aliados da OTAN, que incluem Bélgica, Bulgária, Canadá, Espanha, Estados Unidos, França, Grécia, Holanda, Hungria, Itália, Luxemburgo, Noruega, Polônia, Reino Unido, Romênia e Turquia, juntamente com os convidados Finlândia e Suécia, lançaram uma nova iniciativa que transformará a forma como a OTAN reúne e utiliza os dados espaciais, melhorará