Google expande apps de alerta para inundações e incêndios

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Desde o início de novembro, ferramenta é capaz de prever inundações no Brasil – imagem: Google Flood Hub (reprodução)

O Google acaba de lançar a ferramenta Flood Hub, que reúne previsões de enchentes para 20 países, incluindo 15 novas geografias, entre elas Brasil. Lançada há quatro anos na Índia, a ferramenta chegará agora Burkina Faso, Camarões, Chade, República Democrática do Congo, Costa do Marfim, Gana, Guiné, Malawi, Nigéria, Serra Leoa, Angola, Sudão do Sul, Namíbia, Libéria, África do Sul, Brasil, Colômbia e Sri Lanka. O Google anunciou ainda que, após testes de um aplicativo nos Estados Unidos, está aperfeiçoando o rastreamento de incêndios florestais, ampliando o número de países em que o serviço está disponível.

Os alertas de desastres naturais são enviados para usuários de Android e qualquer telefone com o aplicativo de pesquisa do Google instalado. Empresas e organizações também podem se inscrever para receber o serviço, mas as pessoas precisam ter acesso à Internet e habilitar os serviços de localização do Google.

O Flood Hub é capaz de prever onde as inundações provavelmente ocorrerão e qual será a profundidade da água. Para fazer previsões onde há menos dados disponíveis, o Google recorreu a uma técnica de IA chamada aprendizado de transferência. Essencialmente, os pesquisadores treinam um modelo de previsão de enchentes usando dados de muitas bacias de drenagem diferentes. Esses dados não precisam ser geograficamente específicos para as áreas em que o aplicativo está prevendo enchentes, permitindo que o Google dimensione o modelo com mais facilidade para novos locais.

Antes, o Google dependia principalmente de dados de medidores de nível de água. Agora, o principal impulsionador do modelo são os dados de previsão do tempo. Essa atualização permite que a empresa emita alertas de inundação com até uma semana de antecedência, em comparação com as cerca de 48 horas anteriores.

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Esses novos serviços do Google podem ser úteis, especialmente porque as mudanças climáticas estão tornando inundações e incêndios florestais mais violentos. Segundo um relatório das Nações Unidas divulgado mês passado, metade do planeta carece de sistemas adequados de alerta prévio para desastres como inundações e incêndios. Essa tecnologia pode dar às pessoas tempo suficiente para se colocarem em segurança, salvando vidas. 

Usando IA para prever inundações

O Flood Hub utiliza inteligência artificial (IA) para prever inundações, um trabalho que começou na região de Patna, na Índia, em 2018. Esse programa se expandiu por todo o país e para partes de Bangladesh, em 2020. Em 2021, o Google enviou notificações de inundações para 23 milhões de pessoas nas duas regiões propensas a inundações nesses países. 

O app de monitoramento de inundações aprimorado é um mapa interativo onde as pessoas podem consultar as previsões de enchentes por elas mesmas. É possível aumentar o zoom para ver pins verde-azulado, amarelo e vermelho que indicam os níveis de inundação. Vermelho indica inundações excepcionais, amarelo é um aviso de algumas inundações e verde-azulado indica condições normais. 

Quando se clica em um desses pins, uma caixa aparecerá com mais informações sobre cada local. Ele mostrará uma série de datas – passadas, presentes e futuras. O sombreamento azul na caixa indica se os níveis de água já ultrapassaram ou devem ultrapassar um “nível de alerta” e “nível de perigo” durante esse período de tempo. Uma pequena seta ao lado de “Previsão de mudança do rio” na parte superior da caixa indica se os níveis de água devem subir (com uma seta apontando para cima) ou cair (seta apontando para baixo).

Já com relação aos alertas de incêndios florestais, recurso lançado em 2020, é a primeira vez que o Google está usando aprendizado de máquina para melhorar a detecção e monitoramento desse tipo de desastre. O rastreamento aprimorado passou a estar disponível nos EUA, México, Canadá e partes da Austrália. Os usuários podem não notar muita diferença na forma como interagem com o recurso, já que a maior mudança está no back-end.

Por esse aplicativo, um mapa mostra os limites dos incêndios florestais quase em tempo real. Em 2021, o Google adicionou uma camada de incêndio florestal aos mapas que começaram a ser lançados globalmente, com os EUA apresentando um rastreamento mais granular de incêndios individuais. Para isso, a empresa conta com dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) e com os satélites da NASA. 

“Internamente, é uma mudança muito grande para nós. É realmente um sistema muito diferente. Do ponto de vista do usuário, ele pode apenas esperar que haja mais cobertura e mais precisão”, diz Sella Nevo, gerente sênior de engenharia do Google.

Fonte: The Verge

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