Inpe cria comitê para implementar nowcasting

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Inpe já possui uma página dedicada ao nowcasting (reprodução)

Por meio da Portaria 663/2022 publicada nos últimos dias do ano passado, o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – Inpe, Clezio de Nardin, constituiu o Comitê Científico de Nowcasting, que tem seis meses para elaborar as diretrizes da implementação e operacionalização da previsão de tempo de curto e curtíssimo prazo no país.

O comitê é composto por 16 pesquisadores entre os principais especialistas no assunto e será coordenado por Izabelly Carvalho da Costa, chefe da Divisão de Previsão de Tempo e Clima do Inpe, com vice-coordenação de Rachel Ifanger Albrecht, professora do Departamento de Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP).

O projeto, conhecido também como Previsão Imediata ou de Curtíssimo Prazo, tem como objetivo pesquisar e desenvolver produtos e ferramentas úteis para o envio de alertas de curtíssimo prazo. A previsão na escala de tempo de minutos a poucas horas tem o intuito de alertar a sociedade sobre eventos meteorológicos severos, como os que acontecem em decorrência de fortes temporais.

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Atualmente, as informações disponibilizadas nas previsões de tempo e avisos meteorológicos indicam áreas abrangentes com condições para ocorrência de tempestades. Muitas vezes, essas áreas cobrem vários estados ou uma grande quantidade de municípios e, normalmente, não é informado o horário de ocorrência e nem a intensidade do evento.

O nowcasting se apresenta, portanto, como um diferencial, já que emprega o radar meteorológico como principal ferramenta de monitoramento, possibilitando enviar alertas com grande precisão de horário, tipo, intensidade e quais localidades serão atingidas por determinado evento. 

Nowcasting será implementado pelo Censipam

O nowcasting não é algo propriamente novo e o Inpe, inclusive, divulga uma plataforma online dedicada ao tema, mas o país não possui instituições públicas trabalhando efetivamente nesse processo, como acontece em outros países. No âmbito da Rede Nacional de Meteorologia (RNM), constituída pelo Inpe, INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) e Censipam (Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia), coube ao Inpe a responsabilidade pela pesquisa e desenvolvimento do produto e ao Censipam, a implementação do nowcasting no país. 

Em geral, na fase inicial do processo de nowcasting, tenta-se fazer uma previsão do ambiente, antes da formação da tempestade, para avaliar o potencial de desenvolvimento de eventos severos, utilizando informações provenientes de modelos numéricos e dados observados. Uma vez identificada a área com maior potencial de formação de tempestades, começa o monitoramento, utilizando, principalmente, dados dos sensores remotos, satélites e radares meteorológicos.

Inicialmente, as nuvens poderão ser vistas a partir dos satélites, sensores que enxergam as nuvens a partir do espaço. Atualmente, o Inpe utiliza os satélites da série GOES com imagens a cada 10 minutos e dados sobre o estado da atmosfera (nuvens que estão cobrindo ou se formando) naquele momento em determinada região.

O radar transmite um pulso de onda eletromagnética que interage com esse volume e é refletido, voltando como uma informação. Com isso é possível saber quais processos estão ocorrendo no interior da nuvem. O gelo dentro da nuvem pode ter outros nomes de acordo com o seu processo de iniciação, formação e crescimento, sendo o granizo normalmente observado quando acontecem tempestades mais intensas.

Outra forma de observação usa sensores de superfície, os radares meteorológicos. Neste caso, faz-se um escaneamento da atmosfera, em geral a cada 10 minutos, com informações sobre o conteúdo de dentro das nuvens, como hidrometeoros (partículas em suspensão que contém água em sua forma líquida, sólida ou mista, em algumas camadas da atmosfera) e água (seu estado, densidade e profundidade). Com isso o grupo de nowcasting consegue concluir se é um fenômeno mais intenso que pode causar tempo severo ou um sistema menos intenso, como uma chuva passageira que não causa grandes danos. 

Vinculado à Coordenação-Geral de Ciências da Terra – CGCT do Inpe, o trabalho do Comitê seguirá as seguintes diretrizes para a implementação e operacionalização do nowcasting:

I – configuração dos radares meteorológicos e produtos derivados;

II – configuração dos produtos de satélites meteorológicos;

III – modelagem numérica por ensemble e em alta resolução;

IV – definições dos fenômenos que devem ser alertados, incluindo os limiares e o formato dos alertas para os tomadores de decisão e a população;

V – organização de treinamento e capacitação de pessoal para a realização do nowcasting;

VI – validação do evento de tempo severo.

Fonte: Inpe.

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