Mapa antigo achado em Petrópolis pode ser da Biblioteca Nacional

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Mapa antigo: obra do século 18 está exibida no site do IPHAN. (imagem – acervo IPHAN)

O mapa do século 18 encontrado na Biblioteca Municipal Gabriela Mistral, em Petrópolis, pode ser o mesmo que se encontra no site da Galeria de Mapas Antigos do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) como pertencente à coleção da Biblioteca Nacional. A obra foi descoberta no andar térreo da Gabriela Mistral, há cerca de duas semanas, junto com outros documentos também não catalogados na biblioteca petropolitana, após um trabalho emergencial por conta de uma inundação.

Os pesquisadores que estão investigando o material encontrado dizem se tratar de um mapa de 1757 sobre movimentações de tropas portuguesas e espanholas no que ficou conhecido como a Guerra Guaranítica, conflito que pôs em confronto índios guarani que viviam com os jesuítas nas Missões do Sul do Brasil e militares luso-espanhóis que queriam escravizá-los.

Terceira maior e mais importante biblioteca do Estado do Rio de Janeiro, a Gabriela Mistral tem um acervo de 150 mil volumes e a maior parte dessas obras não foi atingida, já que fica nos andares mais altos. Mas, 8 mil itens localizados no térreo foram impactados pela inundação, que chegou a 1,60 m de altura.

“Soube da enchente e imaginei que o acervo geral tivesse sido atingido. O que me surpreendeu foi o acervo incomum que encontramos aqui para uma biblioteca municipal. Para mim, que sou historiador e já trabalhei com arquivos em vários lugares do país, foi surpreendente e muito gratificante poder salvar essas obras, algumas muito valiosas”, explicou ao site da Prefeitura de Petrópolis o historiador e professor universitário Felipe Monteiro, um dos colaboradores no trabalho de salvamento das obras.

Mapa antigo: na foto divulgada pela Prefeitura de Petrópolis, não é possível ver muita coisa, nem a margem inferior, onde estariam anotações

A foto divulgada pela Prefeitura de Petrópolis à imprensa (acima) não permitem identificar muita coisa sobre o mapa antigo, mas o Geocracia descobriu o mesmo mapa no site do IPHAN (foto do alto da página). Ao se passar o cursor sobre a imagem na página do Acervo do Instituto, aparece a informação “Foto: Coleção da Biblioteca Nacional”, embora, até agora, não tenha sido possível encontrá-lo no acervo digital dessa instituição.

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Em uma resolução razoável, a imagem disponibilizada no site do IPHAN exibe algumas anotações nas margens do mapa, sobretudo na parte inferior, mas a foto da Prefeitura não mostra a margem inferior. No entanto, na margem do lado direito, é possível perceber uma marcação com dois traços verticais e um horizontal, e ela coincide com a mesma marcação na imagem do IPHAN.

… mas é possível perceber uma coincidência: a mesma marca nos dois mapas.

Segundo a Prefeitura de Petrópolis, uma das explicações para o mapa estar na cidade seria a possibilidade de ele ter pertencido ao acervo do Barão do Rio Branco, que tinha casa na cidade. Mas, a se confirmar que se trata do mesmo mapa da coleção da Biblioteca Nacional, a explicação pode ser mais simples: “algum pesquisador solicitou o mapa para estudá-lo mais a fundo ou para integrar uma exposição – o que não é uma coisa incomum – e, por esquecimento ou algum outro motivo, a obra não foi devolvida à Biblioteca Nacional”, diz um historiador ouvido pelo Geocracia.

Na Galeria de Mapas Antigos do IPHAN, há ainda muita informação contextualizada a respeito do conflito com os índios guaranis e sobre o trabalho que as equipes cartográficas tiveram para demarcar as terras que estavam em disputa. Também é possível identificar parte do cabeçalho do mapa, que fala do “… País conhecido da Colônia até as Missões e o caminho […] das duas Armadas de S. Majestade Fidelíssima e Católica” .

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