Marinha descentraliza produção de cartas náuticas eletrônicas da Amazônia

cartas náuticas eletrônicas
Imagem de satélite do delta do Rio Amazonas (domínio público)

Para descentralizar a produção cartográfica da Marinha, antes exclusivamente a cargo do Centro de Hidrografia da Marinha (CHM), em Niterói (RJ), o Centro de Hidrografia e Navegação do Norte (CHN-4) passou a publicar cartas náuticas eletrônicas da Região Amazônica. A iniciativa é parte do Plano de Readequação dos Setores de Hidrografia e Cartografia da Diretoria de Hidrografia e Navegação da Marinha do Brasil.

No caso da Amazônia, o trabalho da cartografia náutica assume especial importância, já que, segundo o Diretor do CHN-4, capitão de Fragata Andérmisson Claudino da Silva Moura, a área de encontro entre a Amazônia Verde (fluvial) e a Amazônia Azul (oceânica) é uma simbiose de desafios para qualquer hidrógrafo, independentemente do formato da carta: “Para cada período de cheia, há uma variação, em média, de dez metros no nível dos rios. Todo ano, ocorrem transformações no leito do Rio Amazonas. Ilhas que existiam em determinado momento sofrem mudanças de posição. A cartografia é atualizada com frequência e, na versão eletrônica, esse processo é mais prático para os navegantes”, afirma o oficial.

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Desde 2008, as cartas náuticas eletrônicas brasileiras são distribuídas de modo sistemático e oficial. Atualmente, além das mais de 600 cartas em papel, a marinha produz mais de 200 cartas náuticas eletrônicas, com as principais vias navegáveis do País já cartografadas. A partir de 2018, a Convenção Internacional para Salvaguarda da Vida Humana no Mar passou a exigir que navios de grande porte utilizem cartas vetoriais. Segundo a Marinha, essa determinação resultou em avanços tecnológicos nos equipamentos e na produção cartográfica brasileira e, agora, a tendência é o Brasil seguir o padrão internacional de uso das cartas digitais empregadas em outros países.

Exemplo de carta náutica em papel para a Região da Amazônia (Marinha – reprodução)

Cartas Náuticas são documentos cartográficos destinados a apoiar a navegação e são decorrentes de levantamentos de áreas oceânicas, mares, baías, rios, canais, lagos, lagoas ou qualquer outra massa d’água navegável. As Normas Técnicas que regulam sua construção são ditadas pela Organização Hidrográfica Internacional (OHI).

Fundamentais para a segurança da navegação, elas apresentam apresenta diversas informações, como profundidades, perigos à navegação (bancos, pedras submersas, cascos soçobrados ou qualquer outro obstáculo à navegação), natureza do fundo, fundeadouros e áreas de fundeio, auxílios à navegação (faróis, faroletes, bóias, balizas, luzes de alinhamento, radiofaróis etc.), altitudes e pontos notáveis aos navegantes, linha de costa e decontorno das ilhas, elementos de marés, correntes e magnetismo e outras indicações necessárias à segurança da navegação.

“Pense no trajeto terrestre. Por mais que haja um obstáculo, normalmente eles são visíveis. O ambiente marinho guarda muitos detalhes do relevo que não são tão óbvios. A carta náutica apresenta ao navegante, de forma simples, os perigos submersos, invisíveis aos olhos de quem conduz a embarcação e fornece um conhecimento necessário para uma navegação segura”, explica o encarregado da Seção de Novas Edições do Centro de Hidrografia da Marinha, Capitão de Corveta (EN) Christopher Florentino.

As cartas náuticas eletrônicas são obtidas, exclusivamente, com distribuidores internacionais do International Centre for Electronic Navigational Charts, operado pelo Serviço Hidrográfico do Reino Unido.

Há ainda as cartas náuticas raster (imagem digitalizada de uma carta em papel), disponibilizadas gratuitamente para download no formato NOAA-BSB versão 3.0, mas que não dispensam o uso concomitante das cartas em papel, atualizadas até o último aviso aos navegantes. Essas últimas são impressas pela Base de Hidrografia da Marinha, em Niterói (BHMN), e vendidas e distribuídas pela Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron), da Marinha.

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