Meninas da Geo: O mercado Geo na Amazônia está bem aquecido

A professora do Instituto Federal do Pará (IFPA), campus Castanhal, Tatiana Pará Monteiro de Freitas foi eleita recentemente como uma das lideranças em ascensão pelo evento Geospatial Word 50 Rising Star. Líder das Meninas das Geotecnologias, ela é a única brasileira em uma publicação composta por 50 jovens lideranças de 30 países. A premiação está prevista para ocorrer durante o Fórum Geospatial World no período de 2 a 5 de maio de 2023, em Roterdã, Holanda.

Tatiana Pará é fundadora do projeto Meninas da Geotecnologia que objetiva empoderar meninas e mulheres por meio do uso de tecnologia no manejo florestal no estado do Pará na Amazônia nos anos de 2021 e 2022.Para a Geocracia, a Tatiana contou um pouco de sua trajetória na inserção das mulheres no mercado de geoinformação, o desenvolvimento setorial na Amazônia e seus próximos passos.

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Você acabou de ser eleita uma das 50 lideranças jovens no mundo, o que isso significa para você e para o projeto?

O reconhecimento como uma liderança abre o espaço para o fortalecimento das mulheres nas Geotecnologias, em especial para a mulheres do Norte do Brasil, de onde sou. Esse destaque permite apresentar o projeto Meninas da Geo ao mundo e possibilita prospectar novas parcerias e apoio às jovens amazônidas que anceiam entrar no mercado de trabalho geoespacial.

No que consiste seu projeto e quais são os principais desafios para o desenvolver no Pará, um estado extenso e que precisa de bastante trabalho para ações como a regularização fundiária e a realização de Cadastro Ambiental Rural?

O projeto Meninas da Geo objetiva empoderar meninas e mulheres nas áreas da STEM, com base nas ações desenvolvidas pelo ONU para atender a ODS 5. De forma prática, atuamos com o ensino, pesquisa e a extensão para capacitar mulheres, jovens, agricultoras, ribeirinhas a usarem as ferramentas geotecnológicas e potencializarem a gestão do seu território.

Muitas localidades não estão visíveis na plataforma OpenStreetMap, por exemplo, e já mapeamos ilhas que não haviam dados cartográficos e que esses dados iniciais deram suporte ao CAR autodeclarativo e Titula Brasil, obviamente são dados de localização correspondende as pequenas escalas, mas já apoiam na gestão da terra.

Quais foram os principais resultados obtidos até hoje com o projeto?

Resultados gerais se baseiam na capacitação de mulheres. Já temos mais de 1000 mulheres capacitadas em cursos que envolvem geotecnologia, de 2020 a 2022, nos mais diversos municípios do Pará, incluindo ilhas de difícil acesso.

Temos muitas mulheres, também capacitadas pelo Brasil de forma remota. Já atuamos com mapeamento colaborativo para inclusão de dados locais na plataforma OpenStreetMap e dentro de uma perspectiva educacional das discentes envolvidas como bolsistas e voluntárias, temos egressas nos mais diversos cursos de pós-graduação, criação de uma startup e todas as egressas no mercado de trabalho.

Mulheres que trabalham em geotecnologias podem enfrentar dificuldades para conciliar suas carreiras com outras responsabilidades, incluindo muitas vezes a realização de trabalho de campo. Como as práticas setoriais têm evoluído para contribuir para a inserção feminina no setor?

Normalmente as dificuldades encontradas não partem das mulheres, nós estamos no campo, gostamos do campo e queremos ir a campo, porém a violência ainda existe e isso enfraquece o espaço que podemos atuar. O projeto Meninas da Geo vem fazendo essa abordagem, sobre a segurança dessas mulheres, sobre a equidade no espaço e sobre a garantia de segurança para que possam atuar.

Recentemente iniciamos uma nova parceria com a Polícia, para que tenhamos ações específicas de mapeamento de crimes e consequentemente fazer o enfrentamento da violência.

Qual sua visão do mercado de geo para os próximos dez anos e que mensagem poderíamos passar para uma jovem que queira ingressar na faculdade e esteja com receio se terá trabalho no setor geo lá na frente? Como inspirá-las?

O mercado de Geo, principalmente na Amazônia, onde atuamos, está bem aquecido. A pauta sobre o clima, desmatamento e cidades inteligentes depende de uma boa base georreferenciada, de geodésia e topografia, logo é um cenário positivo para essas áreas. Sem falar que eventos como a COP, os Objetivos para 2050 e o plano de Bioeconomia possuem estratégias para desenvolver o território e isso demandará muito mapeamento, não é a toa que ainda existe o tal “vazio cartográfico” na Amazônia.

Diante disso o projeto busca inspirar mulheres diversas áreas (agrárias, tecnológicas, humanas, etc.) a se aperfeiçoarem e usarem muito geoprocessamento para suas tomadas de decisão e assim contribuir com a inclusão e desenvolvimento sustentável.

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