Na cartografia, EUA e China já estão em guerra por Taiwan

Taiwan e cartografia
Imagem Google Maps (reprodução)

Se na vida real, as coisas entre China e Estados Unidos esquentaram bastante esta semana em função da visita a Taiwan da presidente da Câmara americana, Nacy Pelosi, com direito a exercícios militares chineses usando munição real a poucas milhas da costa taiwanesa, na cartografia, a guerra já está declarada faz tempo.

Mapas que retratam Taiwan na mesma cor da China não podem ser adquiridos pelo governo americano, de acordo com a Lei do Departamento de Estado, Operações Estrangeiras e Apropriações de Programas Relacionados, sancionada em março deste ano. A nova regra proibe o uso pelo Departamento de Estado dos EUA e por suas operações estrangeiras de quaisquer mapas que retratem Taiwan como parte da China: “Nenhum dos fundos disponibilizados por esta Lei deve ser usado para criar, adquirir ou exibir qualquer mapa que descreva incorretamente o território e o sistema social e econômico de Taiwan e as ilhas ou grupos de ilhas administrados pelas autoridades de Taiwan”, diz o texto da Lei.

Já na China, mapas que retratam o país e Taiwan em cores diferentes são proibidos e seus autores sujeitos a punições legais.

Foi o que aconteceu no fim do ano passado com a subsidiária de Pequim da operadora japonesa de lojas de conveniência 7-Eleven. A empresa acabou multada pelo governo chinês em US$ 23.500 porque, em seu site, descreveu Taiwan como um país autônomo e estabeleceu outras convenções de nomenclatura para a pequena ilha, independente desde 1949.

A 7-eleven também não usou nomes chineses para várias ilhas do Mar da China Meridional e para as ilhas Senkaku administradas pelo Japão, que a China reivindica e chama de Diaoyu. O mapa da 7-Eleven ainda foi acusado de apresentar erros nas fronteiras da China ao longo da Região Autônoma Uigur, de Xinjiang e da Região Autônoma do Tibete.

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Situação semelhante vale para os globos terrestres vendidos no país. Nenhum deles será aceito se Taiwan não estiver identificado como território chinês. E isso afeta até peças que seguem para outras geografias, como o caso do globo fabricado pela italiana Nova Rico para o mercado brasileiro (abaixo), e que, mesmo assim, põe China e Taiwan com a mesma cor.

Globo da italiana Nova Rico é feito para o mercado brasileiro, mas segue recomendações geopolíticas da China (imagem: Geocracia)

Mas a China não é a única a fazer esse tipo de exigências. A Índia também não permite mapas com a Caxemira independente, enquanto a Rússia faz o mesmo em relação à Crimeia – e, provavelmente, já está adotando a mesma posição em relação às províncias separatistas do leste da Ucrânia, recentemente invadidas e atualmente ocupadas pelo exército russo.

Em geral, o mercado de produção de mapas e globos trabalha com uma lista de 11 países que exigem cartografias especiais – Chile, China, Japão, Argentina, Turquia, Índia, Paquistão, Grécia, Israel, Ucrânia e Rússia.

Fontes: Taipei Times e Nikkei

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