No Dia do Cartógrafo, uma homenagem a Mestre João

Dia do Cartógrafo
Dia do Cartógrafo
Dia do Cartógrafo: No esboço de mestre João, no alto à esquerda, o Cruzeiro do Sul – Imagem: domínio público

Corrigido pelo calendário gregoriano usado nos nossos dias, foi no dia 6 de maio de 1500 que João Faras (ou João Emeneslau) saiu finalmente da nau fundeada em Porto Seguro, na Bahia. Mais conhecido como Mestre João, ele era um médico, astrônomo, astrólogo e físico espanhol que acompanhava a expedição de Pedro Álvares Cabral, recém-chegada ao Brasil. Por causa dele, hoje se comemora o Dia do Cartógrafo.

Ao sair do navio, João usou um astrolábio de madeira para medir a latitude desembarque, pois o balanço da caravela não permitiu que ele fosse bem sucedido. Constatou que estavam a 17° Sul (a medida certa era 16°21’22” ao Sul). À noite, ele observou uma constelação que chamou, primeiro de” Las Guardas” e, depois, de “Crux”. Essa constelação é a que hoje conhecemos como Cruzeiro do Sul, fazendo, inclusive, parte da nossa bandeira.

O desenho acima é do próprio Mestre João e faz parte da carta enviada por ele ao rei D. Manuel I de Portugal, descoberta apenas no século 19, e que relata a chegada ao que se pensava ser a Ilha de Vera Cruz (a carta, hoje guardada na Torre do Tombo, em Portugal, pode ser vista aqui). No esboço, é possível ver, no alto, à esquerda, a configuração familiar do Cruzeiro do Sul ao lado da anotação ‘Las Guardas’. Abaixo, as inscrições ‘la bosa’ e ‘el polo Antartyco’.

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A carta de Mestre João é um marco de grande importância não apenas para a História do Brasil, mas para a Astronomia e a navegação, já que as estrelas eram fundamentais para orientar as naus. O céu do hemisfério norte era bem conhecido e tinha a estrela Polar como referência, possibilitando a navegação. Nos mares do sul, porém, essa referência setentrional é perdida e as estrelas visíveis são outras. Era importante, portanto, descobrir-se uma nova referência que apontasse o pólo austral. A partir do documento de Mestre João, os europeus começaram a estudar o céu do hemisfério sul, tornando mais seguras e precisas as viagens para o continente sulamericano.

A princípio, João Faras relata que Las Guardas, que ele considera já conhecida na época, era visível durante todo o ano nos mares do sul – hoje, sabe-se que a constelação ‘desaparece’ no horizonte durante a primavera. Mas, sua contribuição para encontrar uma referência para a navegação do século 16 foi importantíssima e ele mesmo acabou por se tornar uma, eternizada no Dia do Cartógrafo.

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