‘O Hóspede Americano’: a lendária saga que uniu Roosevelt e Rondon, em 1914

Imagem: domínio público

Imagine um ex-presidente americano que, frustrado após perder uma eleição, decide se embrenhar na selva amazônica, ao lado de exploradores brasileiros, como parte de uma missão científica. Loucura, não? Agora, pense isso, não nos dias de hoje, com toda a tecnologia, conforto e conhecimento existentes, mas em 1914, quando a Amazônia ainda era um total mistério e os equipamentos de apoio e transporte disponíveis absolutamente precários.

Pois a história desse encontro improvável protagonizado pelo ex-presidente dos EUA Theodore Roosevelt (1858-1919) e um dos maiores conhecedores da Amazônia de todos os tempos, o então coronel Cândido Mariano da Silva Rondon (1865-1958), é tema de uma minissérie de quatro episódios disponível na HBO Max e dirigida por Bruno Barreto, “O Hóspede Americano”.

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Roosevelt, que acabara de participar de uma campanha acirrada em que chegou a levar um tiro, desembarcou na Bahia em outubro de 1913, recebendo do governo brasileiro todos os meios possíveis e disponíveis para iniciar sua aventura. A participação de Rondon, ele próprio descendente de índios, só foi possível porque o coronel, já uma lenda viva na época, condicionou a sua colaboração: só levaria Roosevelt se aquela fosse uma expedição científica e não uma visita em que ele atuasse como um mero guia turístico.

Isso atiçou ainda mais o ex-presidente, que, meses antes, ficara encantado com uma reunião no American Museum of Natural History de Nova Iorque. Ali se planejava uma expedição científica à bacia do Amazonas com a ideia de, a partir do Rio Paraguai, rumar para norte coletando espécimes zoológicos.

E foi o que aconteceu, a 12 de dezembro de 1913, quando esses dois personagens tiveram seu insólito primeiro encontro. Juntos, eles subiram o rio Paraguai até Mato Grosso e, dali, por outros rios ou pela mata em lombo de burro, até Rondônia. O objetivo era alcançar a nascente do misterioso Rio da Dúvida, pois, na época, ninguém sabia onde desaguava.

Uma das contribuições geográficas da expedição, que ajudou a mapear parte da maior floresta do mundo e a conhecer melhor sua fauna, foi justamente traçar o leito do rio da Dúvida (hoje rio Roosevelt), que segue para norte até desaguar no Aripuanã – e, este, no Madeira, mais ao norte. Há mais de cem anos, usando simples canoas, o inusitado grupo de americanos e brasileiros desceu mais de 700 km de rios enfrentando fome, malária e corredeiras.

Do início ao fim, toda a viagem foi cercada de ameaças e perigos, com dois homens mortos: um tragado pelas ´águas do Rio da Dúvida e outro assassinado em meio às rusgas suscitadas pelo desespero da fome e da doença. Até o cachorro de Rondon foi morto por flechas de índios desconhecidos.

O próprio Roosevelt esteve perto de morrer, já que, diante do calor e da umidade amazônicos, a bala alojada em seu corpo desde o atentado acabou provocando uma infecção óssea que debilitou o político a ponto de fazê-lo perder 20 quilos.

Protagonizada por Aidam Quinn (Roosevelt) e Chico Diaz (Rondon), a minissérie explora dramaticamente a complexidade de duas personalidades fascinantes enfrentando situações-limite em um ambiente hostil. Mas é também uma excelente oportunidade para conhecer melhor a vida de Cândido Rondon, militar, explorador, indigenista, personagem fundamental para a Geografia nacional e um dos maiores brasileiros de todos os tempos.

Fontes: Estadão e Centenário da Expedição Roosevelt-Rondon e suas contribuições à Ornitologia Brasileira

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