O mapa de Leonardo da Vinci que transformou cartografia em ciência

Leonardo da Vinci
Plano de Ímola, de Leonardo da Vinci, 1502 (imagem: Wikimedia Commons)

Edmilson Volpi*

Quando Leonardo da Vinci retornou a Florença, em 1500, o famoso pintor, escultor, arquiteto, engenheiro, cientista e visionário já tinha realizado boa parte de suas obras inesquecíveis, como o Homem Virtuviano e a Última Ceia. Cesare Borgia, filho do papa Alexandre VI, tinha acabado de tomar a cidade fortificada Ímola, perto de Bolonha, e, em 1502, tornou-se patrono de da Vinci.

Uma das primeiras missões dadas a Leonardo foi justamente preparar um mapa de Ímola. Borgia precisava entender a geografia e os pontos fortes e fracos da cidadela, que contava com fosso e fortes muralhas, para controlar e manter sua importante conquista.

Na época, os mapas eram obras cheias de simbologia, essencialmente artísticas e com uma tendência a exagerar as construções religiosas. Borgia queria precisão, e ninguém melhor do que Leonardo e sua mente matemática para romper com essa tradição e realizar algo que tivesse utilidade prática.

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Para fazer o famoso ‘Plano de Imola’, da Vinci se valeu de uma técnica desenvolvida pelo humanista Leon Battista Albert, que utilizava coordenadas polares para mapear uma cidade. A partir daí, empregou seus conhecimentos de desenho e proporções para representar praças, ruas e edifícios.

O ponto central do mapa é a praça principal de Ímola, de onde irradiam oito direções. Acredita-se que da Vinci tenha coletado dados no terreno e utilizado uma bússola e técnicas de geometria para, dali, completar todo o restnte do mapa.

O resultado é o primeiro mapa conhecido a usar dados para mostrar com precisão uma “cidade achatada”, em 2D, como se fosse vista de cima. Chamado pelos cartógrafos de mapa icnográfico, esse é, até os dias de hoje, o tipo mais familiar de mapa conhecido. A confiabilidade dos dados e medidas coletadas por Leonardo é tão grande que, 520 anos depois, ainda é possível usar o ‘Plano Ímola’ para se guiar na cidade.

Leia aqui a reportagem original no National Geographic, e aqui, a tradução no Curiosidades Cartográficas.

* Edmilson M. Volpi é engenheiro Cartógrafo e editor da página Curiosidades Cartográficas no Facebook Instagram

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