ONU anuncia novo sistema de satélites para combater o gás metano

Cada vez mais, países ao redor do mundo estão reconhecendo a importância de conter as emissões de metano, especialmente no setor de petróleo e gás. Para contribuir com esta meta, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, lançou o Observatório Internacional de Emissões de Metano, Imeo.

O objetivo é ajudar os governos a reduzir as emissões, começando no setor de energia. O metano é um gás poderoso na criação do efeito estufa, que contribui para pelo menos um quarto do aquecimento climático atual. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, Ipcc, pediu a redução das emissões de metano em pelo menos 30% até 2030 para atingir as metas do Acordo de Paris.

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O chefe do Imeo, Manfredi Caltagirone, afirma que uma das principais ferramentas dessa empreitada é o Sistema de Alerta e Resposta ao Metano, ou Mars. Segundo ele, o sistema coordena observações remotas de satélites, incluindo aqueles operados pelas agências espaciais europeia, italiana e alemã e pela Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço dos Estados Unidos, Nasa. A meta é identificar grandes fontes de emissão de metano em todo o mundo.

Notificação de empresas e governos

Os dados coletados estão vinculados a um processo de notificação a empresas que operam campos de petróleo e gás e governos onde as emissões estão acontecendo. De acordo com Caltagirone, “isso aumentará drasticamente a transparência”, pois os dados agora serão compartilhados “com aqueles que podem agir para reduzir as emissões no terreno”.

Outra novidade do Mars é que os dados, a partir do final deste ano, serão disponibilizados ao público entre 45 e 75 dias após a detecção. O especialista afirma que esse período de sigilo é necessário, pois é preciso ter “certeza de que as informações compartilhadas são precisas, e isso requer tempo para analisar os dados”.

Prestação de contas

Além disso, ele afirma que o objetivo do Mars é criar “uma oportunidade para envolver empresas e governos em discussões sobre a redução das emissões de metano no setor de energia de forma construtiva e produtiva, ao invés de apenas apontar o dedo para eles”. Caltagirone acredita que apenas saber que as informações se tornarão públicas, fará com que governos e empresas melhorem a prestação de contas e a transparência.

Ele explica que um dos satélites envolvidos no projeto é o Sentinel 5P, lançado há alguns anos pela Agência Espacial Europeia. Ele cobre o globo terrestre diariamente. Com base nesses dados diários, são desenvolvidos mapas a cada três semanas que identificam onde estão as maiores concentrações de metano.

Com base nessa informação inicial, são usados satélites chamados de imageadores de fontes pontuais, direcionados para os alvos identificados. Esses satélites têm alta resolução espacial e possuem a capacidade de trazer mais detalhes sobre a fonte da emissão de metano.

De news.un.org

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