Os 96 anos de Virginia Norwood, a “mãe” dos Landsat

Virginia Norwood
Virginia Norwood – imagem: Wikimedia Commons

Se você está lendo essa matéria no seu computador ou celular, fique sabendo que isso se deve, em grande parte, ao trabalho da física e matemática americana formada pelo MIT Virginia Norwood, que, neste domingo, completa 96 anos. Trabalhando diretamente com a NASA, agência espacial dos Estados Unidos, ela foi responsável pelo desenvolvimento do projeto Landsat, a primeira família de satélites de observação contínua da terra, na década de 70.

O Landsat1, então chamado de Satélite de Tecnologia de Recursos Terrestres, foi lançado da Base Aérea de Vandenberg, na Califórnia, em julho de 1972. Levava o protótipo de um scanner multiespectral (MSS), equipamento capaz de capturar a luz visível e invisível e classificá-la em mais do que apenas três bandas espectrais. Inventado por Virginia, o dispositivo, o primeiro a enviar dados digitais a partir do espaço, possibilitou descobrir um verdadeiro tesouro de informações, desde o estudo de qualidade da água e o vigor de colheitas até a umidade do solo e informações sobre o uso da terra.

Após anos de guerra fria e corrida espacial, o Landsat-se foi um dos primeiros projetos da NASA que não era confidencial, ou seja, seus dados poderiam ser compartilhados com a comunidade científica. Virginia Norwood, então com 45 anos, lidava desde os anos 50 com o desenvolvimento de antenas, links de comunicação e experimentos óticos para a Hughes Aircraft, um dos maiores fornecedores dos EUA no setor aeroespacial e de defesa. Ela foi a primeira mulher a trabalhar na empresa, a única entre 2.700 homens, na época de sua admissão.

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Antes do Landsat, Virginia já tinha equipado, em 1966, um outro projeto da NASA, de enorme importância: a sonda Surveyor, encarregada de enviar imagens da superfície lunar que revelassem bons locais de pouso para a missão Apollo, que levaria o primeiro ser humano à Lua. Ela sabia que a NASA e o US Geological Survey estavam conversando sobre a construção de um satélite para observar a Terra e monitorar seus recursos naturais. “Com um satélite, você pode chegar ao topo das montanhas e a todos os lugares que os geólogos gostariam de conhecer e dos quais não possuíam dados”, diz ela à reportagem do MIT News.

Outra inovação do protótipo que equipou o Landsat 1: o scanner seria digital. Seus detectores capturariam pixels individuais (cada um representando uma área aproximadamente do tamanho de um campo de futebol) que formariam linhas de dados compiladas para formar imagens digitais e poderem ser analisadas em computadores.

A NASA tinha muitas dúvidas sobre se os dados de seis bits do MSS poderiam produzir imagens de alta qualidade, e Virginia Norwood sabia que seria difícil processar com precisão um sinal analógico contínuo. “Você quer que seja preciso”, diz ela. “Ou fica com uma sujeira na forma de listras”, quando os dados são reconstruídos em imagens. Torná-lo digital permitiria calibrar os níveis de fótons de cada sensor com muita precisão. Mais tarde, oficiais da NASA diriam a ela que os dados MSS foram os primeiros transmitidos digitalmente do espaço, estabelecendo o padrão para o futuro sensoriamento remoto quantitativo.

Os dados de diferentes bandas espectrais podem ser comparados, oferecendo muito mais precisão do que a análise visual de imagens analógicas. Vistas do espaço por “olhos analógicos”, campos de trigo e milho, por exemplo, podem ter a mesma aparência, mas suas assinaturas espectrais únicas permitem diferenciá-los. Isso abriu um campo infinito de possibilidades para a ciência de observação geoespacial da Terra.

Nos anos seguintes e até se aposentar, em 1989, Virginia esteve diretamente envolvida no desenvolvimento dos sucessores Landsat 2, 3, 4 e 5 – os dois últimos com o MSS original e o Thematic Mapper, de 6 bandas, como ela projetou inicialmente. Mesmo os mais recentes lançamentos (7, 8 e 9) possuem aperfeiçoamentos do equipamento construído por ela. Por isso e por ter ensinado o mundo a ver a si mesmo de uma maneira totalmente inovadora e muito mais detalhada, Virginia Norwood é conhecida até hoje como a “mãe do Landsat”.

Com informações da Techonology Review

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