Os mapas secretos de Francis Drake

Francis Drake
Mapa da circunavegação de Francis Drake – domínio público

Edmilson Volpi*

Como mostra uma reportagem do diário espanhol ABC, pode-se dizer que a história da pirataria corre paralela à da navegação – desde Polícrates, o mais famoso pirata da Grécia antiga, até os dias de hoje, quando ainda ocorrem ataques a navios. Onde quer que houvesse navios carregados de mercadorias, surgiam piratas dispostos a tomá-los à força, despertando terror nos mares e costas.

Além do mais famoso corsário inglês, Francis Drake (1540 – 1596) foi ainda comerciante de escravos, explorador e político. Considerado um herói na Inglaterra, o também vice-almirante da poderosa Marinha inglesa entre 1543 e 1596, usufruía da proteção da rainha Elizabeth I e recebeu sua licença de corsário de uma Grã-Bretanha que considerava estratégicos os ataques a possessões espanholas nas Américas.

Francis Drake tornou-se o mais famoso pirata do Caribe no século 16, recebendo o título de Sir em 1581. Seus objetivos eram muito claros. Tomar tudo o que estivesse localizado entre a proa e a popa dos galeões espanhóis e portugueses navegando a oeste do tratado de Tordesilhas – estabelecido por uma bula papal que a Inglaterra anglicana não reconhecia.

Sua vida foi uma intensa sucessão de expedições, sendo a mais notável, uma circunavegação da terra, a segunda depois de Magalhães, e os cartógrafos da época aguardaram seu retorno.

Sabemos que ele partiu de Plymouth em 13 de dezembro de 1577. A esquadra era composta por cinco navios: o Pelicano, o próprio navio de Drake, rebatizado de Golden Hind na viagem de 20 de agosto de 1578; Elizabeth, comandado por John Winter, e outro três menores, o Marigold, o Swan e o Benedict. Apenas o Golden Hind, conhecido por suas cores vivas e por suas bandeiras e estandartes conseguir concluir a viagem retornando a 26 de setembro de 1580 “muito ricamente carregado de ouro, prata, pérolas e pedras preciosas”. Provavelmente, por ser um navio rápido que manobrava com muita facilidade, esquivando-se, assim, do fogo inimigo, e equipado com 14 canhões de cada lado.

Como era costume para promover suas realizações, esta descoberta foi expressa publicamente através da arte em um medalhão de prata holandês, feito por volta de 1581, então conhecido como o Mapa de Prata do Mundo, que agora pode ser visto no Museu Britânico (abaixo).

A parte sul do mapa de Levinus Hulsius, de 1602, mostrando as descobertas de Francis Drake na Terra do Fogo – domínio público.

Uma das duas descobertas geográficas mais importantes na circunavegação de Drake foi a da natureza insular da Terra do Fogo. Embora alguns anos antes, em 1526, o navio San Lesmes da expedição de García Jofre de Loaísa, comandada por Francisco de Hoces ter descoberto que a “Terra Austral” era uma ilha, ele não chegou ao Cabo Horn, pois uma tempestade os afastou da foz oriental do Estreito de Magalhães.

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Medalha de prata da circunavegação de Francis Drake – imagem: Museu Britânico

A outra descoberta foi a de Alta Califórnia, onde ele fundou um porto cuja localização foi mantida em segredo da inteligência espanhola. Seus saques e conquistas não levaram apenas ouro e prata dos espanhóis, mas também significaram a posse de terras que, teoricamente, seriam de Castela.

Francis Drake entregou à rainha seu próprio diário de viagem, com narrativas, desenhos e pinturas. Elizabeth ordenou a proibição da publicação dos detalhes de sua viagem, temendo uma reação da Espanha.

Suas cartas e diários originais acabaram desaparecendo. Francis Drake recebeu ordens de ficar calado sobre sua viagem devido à agitação diplomática que a notícia de sua interferência armada nos domínios do rei da Felipe II da Espanha causaria, já que a Inglaterra e a Espanha estavam teoricamente em paz. Seus homens juraram segredo e só então puderam esperar receber sua parte dos despojos.

Leia aqui o artigo original na íntegra, e a tradução no Curiosidades Cartográficas.

Edmilson M. Volpi é engenheiro Cartógrafo e editor da página Curiosidades Cartográficas no Facebook e Instagram

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