Pangeia: um #tbt de 300 milhões de anos

Pangeia
Há centenas de milhões de anos, toda a superfície terrestre do planeta se concentrava em um único mega continente (Flickr – ::Alejandro::)

Há mais de 300 milhões de anos, entre os períodos Permiano e Triássico, toda a superfície terrestre do planeta Terra estava totalmente unida em um único mega continente – Pangeia (terra única, em grego). Há cerca de 200 milhões de anos, Pangeia já estava dividida em duas partes: Laurásia, reunindo a Ásia, Europa e as Américas do Norte e Central; abaixo, Gondwana, com América do Sul, África, Península Arábica, Índia, Antártida e Austrália. Foi só há cerca de 150 milhões de anos que os continentes africano e sulamericano se separaram, como se pode ver no vídeo abaixo.

O recorte dos litorais é tão preciso e a separação é geologicamente tão recente que especialistas em óleo e gás, usando métodos de análise molecular – o chamado DNA do petróleo –, mal conseguem distinguir entre amostras do produto oriundo da Bacia de Campos, no litoral do Rio de Janeiro, e o óleo extraído nas costas de Angola e da Namíbia.

Pangeia, “heresia científica”

Mas, apesar de, hoje, ser muito fácil para qualquer criança enxergar o encaixe perfeito das massas de terra – a mais evidente entre a América do Sul e a África –, a teoria da deriva dos continentes, proposta em 1912 pelo geólogo e meteorologista alemão Alfred Lothar Wegener, só foi aceita na década de 60, e após muita resistência.

Lothar foi ridicularizado por toda a comunidade científica por mais de 50 anos e Pangeia virou uma heresia entre seus pares. Mas, no final da década de 40, a geóloga cartógrafa Mari Tharp e seu colega oceanógrafo Bruce Heezen conseguiram provar como isso aconteceu. Na verdade, os méritos são quase todos para Harp, que era obrigada a ficar no laboratório da Universidade de Columbia catalogando dados que Heezen coletava do fundo do mar. Isso porque, na década de 50, mulheres não eram aceitas a bordo de navios de pesquisa, pois acreditava-se que elas “davam azar”…

E foi justamente por ter tempo para analisar todos os mapas do fundo do mar enviados por Heezen ao longo de cinco anos, que ela pôde descobrir que, diferente das teorias vigentes, o leito do oceano não era liso e uniforme, mas tinha uma geologia complexa, com vales, montanhas e cicatrizes. Realizando diversos cálculos e transformando os dados em desenhos trazidos por seu colega, Tharp demarcou as fissuras e montanhas, revelando que as placas tectônicas estavam se afastando umas das outras.

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Em 1957, a dupla publicou um livro com o primeiro mapa do fundo do Atlântico que apontava para a enorme falha dorsal que o atravessava de norte a sul: Ligue os pontos: Mapeando o fundo do mar e descobrindo o meio do oceano (em inglês). A reação entre os cientistas foi de grande descrédito. A ponto de o famoso oceanógrafo francês Jacques Cousteau organizar uma expedição com um submarino para provar que Tharp e Heezen estavam errados. Mas, o que Cousteau registrou no fundo do mar apenas serviu para confirmar a teoria da Deriva dos Continentes.

Primeiro mapa completo do fundo do Oceano montado em 1977 a partir do trabalho de Marie Tharp e Bruce Heezen (Wiki,edia Commons).

Foi só a partir dos anos 60 que a Teoria das Placas Tectônicas e da Deriva Continental passou a ser amplamente aceita, mas apenas depois de ter sido formulada por outros cientistas. Com a ajuda do pintor e amigo Heinrich Berann, que usou os dados do trabalho da dupla, foi possível compor, em 1977, o primeiro mapa-múndi de todo o leito oceânico.

Tharp morreu em 2006, a tempo ainda de ver seu trabalho reconhecido, em 1997, com uma homenagem da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos. Em 2009, o Google Earth incorporou o mapa de Tharp e Heenze permitindo que os usuários percorrram o fundo do oceano.

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