Petrobras cria observatório e receberá imagens da NASA para monitorar Margem Equatorial

A Petrobras contará com o apoio da NASA para monitorar a Margem Equatorial, região sensível que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte e tem sido apontada como a nova fronteira de exploração petrolífera do Brasil. A estatal foi incluída em um programa da agência espacial norte-americana e passará a receber gratuitamente, a partir de junho, imagens de satélite de alta resolução para detectar riscos ambientais, como eventuais vazamentos de óleo no oceano.

Como parte da preparação para operar na região — ainda sem licença ambiental do Ibama para perfuração — a Petrobras criou o Observatório Geoquímico Ambiental da Margem Equatorial Brasileira (ObMEQ), uma iniciativa em parceria com universidades do Norte e Nordeste. O projeto contará com um investimento de aproximadamente R$ 70 milhões e reunirá dados científicos para acompanhar a qualidade ambiental da área, que abriga ecossistemas costeiros e marinhos de alta sensibilidade ecológica.

O acesso às imagens será feito por meio do satélite Nisar, desenvolvido em parceria pela NASA e pela agência espacial da Índia (ISRO), com lançamento previsto para junho. A Petrobras teve seu centro de pesquisas credenciado pela NASA em dezembro de 2024, o que permitirá a integração direta com os dados do satélite. As imagens serão utilizadas pelo ObMEQ para construir diagnósticos contínuos da região costeira e auxiliar no monitoramento de eventuais impactos provocados por embarcações e atividades offshore.

A Margem Equatorial é hoje considerada uma das 17 áreas estratégicas para a pesquisa da Petrobras, segundo Igor Viegas, gerente de geologia do Cenpes (Centro de Pesquisas da estatal). Com o apoio da NASA e a criação do observatório, a empresa pretende fortalecer sua atuação em território sensível, combinando inovação tecnológica, parcerias acadêmicas e vigilância ambiental em tempo real.

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