Seremos a 1ª geração que verá as florestas se expandirem?

florestas
Três séculos de perdas – e ganhos – florestais globais (OurWorldinData.org)

Artigo publicado no OurWorldinData pelo seu diretor e fundador, Max Roser, destaca que, em âmbito global, a área desmatada de florestas tem diminuído ao longo das últimas três décadas, e que as áreas de florestas temperadas estão até aumentando, dos anos 1990 para cá. “Nossa geração pode ser a primeira em milênios a ver a área mundial dedicada às florestas se expandir”, afirma Roser.

O autor destaca que, desde a última Era Glacial, o homem destruiu 2 dos 6 bilhões de hectares de florestas no planeta, o que equivale à área dos Estados Unidos, e que os dois principais fatores para isso foram a indústria de madeira e a agricultura, que também se expandiu para as áreas de arbustos e pastagens naturais.

Nos países mais ricos, e principalmente nas zonas de florestas temperadas, como Estados Unidos, Japão, Inglaterra, França e até China e Costa Rica, é possível verificar o aumento das áreas florestais (veja gráfico abaixo). Esses países, segundo Roser, conseguiram fazer a Transição Florestal, sobretudo por conta da redução da necessidade de madeira e de técnicas agrícolas mais eficientes que conseguem extrair mais da mesma área plantada.

Transição florestal: países que deram fim à sua história de desmatamento (OurWorldinData.org)

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Mas, em países tropicais, como Brasil, Indonésia, Colômbia, Congo e Malásia, entre outros, o desmatamento continua, principalmente para abrir áreas de pastagens. Apesar de figurar entre os países que continuam reduzir a área florestal, o Brasil aparece entre os que ainda possuem mais área de florestas a preservar (vide gráfico abaixo).

Países em que o desmatamento prosseguiu nos últimos 30 anos (OurWorldinData.org)

Roser reconhece que os países ricos, que estão conseguindo expandir suas florestas temperadas, são também responsáveis por consumir a carne produzida nessas pastagens tropicais. Segundo dados citados por ele, a maior parte da destruição das florestas tropicais se deve aos consumidores locais, mas “cerca de 12% do desmatamento nos trópicos é impulsionado pela demanda de países de alta renda”. Roser alerta que “31% das terras habitáveis ​​do mundo agora são pastagens para o gado. […] O consumo de carne é um grande impulsionador do desmatamento porque é uma maneira muito ineficiente de produzir alimentos”, diz, citando a enorme área destinada à produção de carne bovina em comparação com a maior eficiência das áreas reservadas à lavoura. 

O desafio, agora, segundo Roser, é conseguir replicar nas zonas tropicais o crescimento já verificado nas áreas de florestas temperadas. “Se quisermos proteger as florestas do nosso planeta, o mundo como um todo precisaria alcançar o que muitos países já conseguiram, a mudança do desmatamento para o reflorestamento – uma transição florestal global”, afirma.

Roser está otimista: “Estamos avançando nessa direção. A taxa de desmatamento nos trópicos foi mais alta na década de 1980. Desde então, diminuiu por um fator de três”, afirma, dizendo acreditar ser possível reduzir a demanda por lenha e terras agrícolas também nos trópicos: “Se conseguirmos a transição florestal global em nossas vidas, será um grande sucesso para a proteção da biodiversidade mundial”. 

Para Max Roser, a receita para se chegar a essa realidade nos trópicos seria uma agricultura mais produtiva – com mais produção em área menor –, menos consumo de carne (ou técnicas intensivas de produção de carne), políticas de conservação eficazes e uma mudança para modernas fontes de energia. “Em nossa vida, temos a oportunidade sem precedentes de encerrar nossa longa história de desmatamento. Pela primeira vez em milênios, poderíamos alcançar um mundo em que as florestas se expandissem”.

Fonte: OurWorldinData.org

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