Tragédia expõe falhas na gestão de risco geológico em áreas turísticas brasileiras

A morte da jovem publicitária Juliana Marins, durante uma trilha no Monte Rijani, na Indonésia, acendeu um alerta sobre as falhas na gestão de riscos em áreas de turismo geológico, especialmente no Brasil. O caso gerou comoção nacional e evidenciou a ausência de mapeamentos adequados que identifiquem perigos geológicos em destinos naturais frequentados por turistas. A geóloga Joana Paula Sanchez, professora da Universidade Federal de Goiás e referência no tema, alerta que, sem um sistema eficaz de gestão e informação, tragédias como essa podem se repetir em território nacional.

Segundo Sanchez, embora algumas unidades de conservação brasileiras tenham protocolos de emergência, a maior parte carece de mapeamento prévio de riscos geológicos, como deslizamentos, quedas de blocos e instabilidade de trilhas. Fernando de Noronha se tornou o primeiro local no Brasil a implementar esse tipo de mapeamento, graças ao trabalho conjunto entre o Serviço Geológico do Brasil e a equipe da pesquisadora. Ainda assim, a adesão a esses processos enfrenta resistência por parte de gestores locais, sobretudo pela falta de regulamentação obrigatória.

Com o crescimento do turismo de aventura, o Brasil se mobiliza para criar normas técnicas de segurança voltadas ao setor, com previsão de lançamento ainda em 2025. No entanto, essas normas serão apenas orientativas, ficando a critério dos municípios ou administradores de parques sua adoção. O Sistema de Gestão da Segurança baseado na ABNT NBR ISO 21101 é um exemplo atual de protocolo usado em atividades turísticas, mas ele não contempla os aspectos específicos da geologia do terreno.

A geóloga ressalta que a educação dos visitantes é essencial para a prevenção de acidentes: saber interpretar sinais de alerta da natureza, conhecer os tipos de solo e as condições climáticas e contar com guias qualificados são medidas que salvam vidas. Experiências internacionais, como as políticas de responsabilização e prevenção aplicadas nos Estados Unidos e na Austrália, são apontadas por Sanchez como referências para a formulação de políticas públicas mais efetivas no Brasil. Municípios como o Rio de Janeiro já demonstram interesse em aplicar mapeamentos similares, especialmente em locais emblemáticos como o Parque Nacional da Tijuca.

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