Brasil quer seu próprio GPS? Veja o que diz a nova resolução do governo

O governo brasileiro iniciou oficialmente os estudos para avaliar a viabilidade de desenvolver um sistema nacional de geolocalização por satélite, nos moldes do GPS norte-americano. A proposta foi formalizada com a publicação da Resolução nº 33, de 1º de julho de 2025, que institui um grupo técnico interinstitucional composto por representantes de ministérios, da Aeronáutica, de agências federais e da indústria aeroespacial. O grupo tem até 180 dias para apresentar um relatório com conclusões e recomendações sobre o projeto.

De acordo com a resolução, caberá ao grupo analisar os aspectos técnicos, financeiros e institucionais envolvidos na criação de um sistema próprio, além de avaliar se o modelo mais adequado seria global ou regional. O texto autoriza a participação de especialistas externos e abre espaço para articulações com universidades e empresas privadas. O objetivo é estruturar uma proposta tecnicamente viável e sustentada por parcerias estratégicas, capaz de fortalecer a infraestrutura nacional no campo da geolocalização.

Receba todas as informações da Geocracia pelo WhatsApp

Embora a discussão sobre o tema já estivesse em andamento em meios técnicos e acadêmicos, a criação do grupo ocorreu em um contexto de tensões internacionais e de debates públicos sobre a dependência brasileira do GPS, sistema operado pelos Estados Unidos. A iniciativa, no entanto, é apresentada como parte de uma política de longo prazo voltada à ampliação da autonomia tecnológica e soberania digital do país, especialmente em setores sensíveis como defesa, logística, aviação e agricultura de precisão.

O Brasil atualmente opera com base em sistemas GNSS (Global Navigation Satellite Systems), como o GPS, o Galileo (União Europeia), o Glonass (Rússia) e o BeiDou (China). A maioria dos dispositivos modernos já é compatível com múltiplas constelações simultaneamente, o que reduz a vulnerabilidade imediata a uma eventual interrupção de sinal. Ainda assim, a inexistência de uma constelação nacional de satélites deixa o país exposto a riscos geopolíticos e limita a capacidade estratégica em diversas áreas críticas.

Diversas potências já optaram por desenvolver sistemas próprios de navegação. A União Europeia criou o Galileo como alternativa ao GPS, enquanto China e Rússia apostaram no BeiDou e no Glonass. Japão e Índia desenvolveram sistemas regionais. Para o Brasil, os desafios incluem não apenas o financiamento e a escala do projeto, mas também a necessidade de dominar a produção de componentes sensíveis, como os utilizados na microeletrônica espacial. A criação do grupo técnico representa, assim, um primeiro passo rumo à definição de um projeto nacional de navegação por satélite, com impacto direto sobre a segurança, a economia e a autonomia tecnológica do país.

Acesse a Resolução sobre o tema.

Veja também

Geo e Legislação

ADPF 743 pressiona cartórios a integrar dados fundiários para enfrentar desmatamento

O Operador Nacional do Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis reuniu representantes de cartórios da Amazônia e do Pantanal em um workshop nacional para orientar o cumprimento das determinações da ADPF nº 743, conduzida pelo Supremo Tribunal Federal. A decisão estabelece medidas estruturais voltadas ao combate ao desmatamento e às