Cartografia indígena ganha espaço institucional e reforça uso estratégico de mapas no Acre

Reinterpretação de obra da exposição

O Museu dos Povos Acreanos abriu ao público a exposição “Cartografia Indígena – Descolonizando Mente e Espaço”, reunindo 23 mapas produzidos por agentes agroflorestais indígenas. A mostra apresenta representações territoriais da Amazônia elaboradas a partir de referências culturais próprias, com acesso gratuito e visitação até o fim de maio.

Receba todas as informações da Geocracia pelo WhatsApp

As peças são resultado de processos formativos conduzidos pelo Centro de Formação dos Povos da Floresta, vinculado à Comissão Pró-Indígenas do Acre. A metodologia adapta técnicas cartográficas ao repertório simbólico das comunidades, incorporando conhecimentos tradicionais ao mapeamento. O conteúdo produzido reflete uma abordagem territorial que articula percepção ambiental, uso do solo e organização social.

Além do caráter expositivo, os mapas têm aplicação prática em diferentes frentes. Segundo os organizadores, o material vem sendo utilizado por povos indígenas do estado no planejamento da gestão ambiental, no levantamento de recursos naturais e na delimitação de territórios, inclusive em contextos de conflitos fundiários. A iniciativa também conta com a participação da Associação do Movimento dos Agentes Agroflorestais Indígenas do Acre e apoio da Fundação de Cultura Elias Mansour.

Serviço
Exposição: Cartografia Indígena – Descolonizando Mente e Espaço
Local: Museu dos Povos Acreanos
Endereço: Av. Epaminondas Jácome, Rio Branco (AC)
Período: até 31 de maio de 2026
Horário: a partir das 9h
Entrada: gratuita

ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

Veja também

Geo e Legislação

Edmílson Volpi: Mapeando o inferno de Dante, a topografia do tormento

“…descobri-me à borda de insondável e teneboso abismo, do qual subiam brados e infindos ais. Tão escuro, profundo e nebuloso era tal pélago que, por mais aceso eu nele fixasse o olhar, coisa alguma reconhecia”. Esta é a visão que saúda o autor e protagonista Dante Alighieri, no Canto IV