Corregedoria de SP veta registro de tokens imobiliários e amplia impasse regulatório

A Corregedoria-Geral da Justiça de São Paulo decidiu proibir o registro de tokens imobiliários vinculados a matrículas de imóveis no estado, atendendo a pedido formulado por entidades representativas dos registradores. A decisão foi assinada pelo corregedor-geral Francisco Eduardo Loureiro e impede que ativos digitais sejam associados diretamente ao sistema registral imobiliário paulista, reforçando a separação entre direitos reais e instrumentos digitais de investimento.

Receba todas as informações da Geocracia pelo WhatsApp

A medida foi recebida de forma positiva pelos cartórios de imóveis, que defendem a preservação do modelo registral como pilar da segurança jurídica imobiliária. O Operador Nacional do Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis (ONR) afirmou que a proibição evita confusão entre tokens e direitos reais de propriedade, sustentando que ativos digitais podem representar contratos ou valores mobiliários, mas não substituir a matrícula imobiliária como fonte de legitimidade dominial.

Quero meu exemplar de Direito Administrativo Geográfico

Quero meu exemplar de Direito Ambiental Geográfico

Empresas de tokenização, por sua vez, criticam a decisão e apontam que a ausência de uma regulamentação nacional clara tem levado tribunais estaduais a adotar posições restritivas que afetam iniciativas já em operação. O setor argumenta que tentativas anteriores de organização do mercado, como a resolução do Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci), suspensa pela Justiça do Distrito Federal em 2025, buscavam oferecer algum grau de ordenação a uma atividade que já ocorre na prática.

Apesar da controvérsia, o ONR afirma não se opor ao uso de novas tecnologias no registro imobiliário.

Segundo a entidade, há estudos em curso para incorporar soluções baseadas em blockchain ao sistema registral, desde que em ambiente permissionado e sob controle institucional. A definição final sobre a matéria, no entanto, segue pendente de uma manifestação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), apontado por ambos os lados como a instância competente para estabelecer regras nacionais para um tema que envolve inovação tecnológica e segurança jurídica.

ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

Veja também

Geo e Legislação

Como a inteligência artificial está sendo usada para criar a “geografia deepfake”

Estudo liderado pelo professor assistente de Geografia da Universidade de Washington, Bo Zhao, chama a atenção para a “falsificação de localização”, um fenômeno possibilitado pela crescente sofisticação das ferramentas de inteligência artificial com potencial para se tornar o crime geográfico perfeito. Leia aqui o artigo publicado sobre o tema no

Geo e Legislação

Satélite brasileiro bate recorde mundial como o mais longevo em operação

Em junho de 2023, o Satélite de Coleta de Dados (SCD), operado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), bateu recorde mundial em operação. Lançado ao espaço em 9 de fevereiro de 1993, o satélite foi resultado do primeiro programa espacial nacional – a Missão Espacial Completa Brasileira, que teve