Daniel Charliton Rodrigues, em artigo publicado no portal Migalhas, analisa os desafios jurídicos, econômicos e geopolíticos relacionados às terras raras e aos minerais críticos no Brasil. O debate ocorre em um momento de crescente valorização desses recursos, impulsionada pela expansão das tecnologias digitais, da indústria de veículos elétricos e da transição energética, que ampliaram a demanda por insumos considerados estratégicos para a economia global.
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Segundo o autor, o Brasil reúne uma das maiores reservas mundiais de terras raras, estimadas em cerca de 21 milhões de toneladas. Apesar desse potencial, a produção nacional permanece reduzida quando comparada à dimensão das reservas existentes. A principal consequência territorial desse cenário é a manutenção de uma estrutura econômica baseada na exportação de minério bruto, enquanto as etapas de processamento industrial e fabricação de produtos de maior valor agregado continuam concentradas em outros países.
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A discussão ganhou força após a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do Projeto de Lei nº 2.780/2024, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. O texto propõe mecanismos de incentivo financeiro, fundos de investimento, certificações ambientais e instrumentos de coordenação federal para estimular a exploração e o processamento desses minerais. A proposta segue agora para análise do Senado Federal, onde deverá enfrentar debates sobre seus impactos regulatórios e socioambientais.
No território, a expansão da mineração de terras raras poderá gerar efeitos diretos sobre municípios mineradores, regiões com disponibilidade hídrica e áreas ambientalmente sensíveis. O artigo destaca que a atividade demanda grandes volumes de água, infraestrutura logística e capacidade de fiscalização ambiental. Também chama atenção para a necessidade de fortalecimento institucional da Agência Nacional de Mineração (ANM), diante da perspectiva de crescimento acelerado do setor e do aumento das responsabilidades regulatórias.
Outro ponto abordado refere-se à inserção do Brasil no contexto geopolítico internacional. O avanço de investimentos estrangeiros em projetos de terras raras, especialmente diante da disputa entre Estados Unidos e China pelo controle das cadeias globais de suprimento, amplia o interesse internacional sobre áreas minerárias brasileiras. Nesse contexto, o debate sobre soberania econômica passa a envolver não apenas a exploração das reservas, mas também a capacidade nacional de desenvolver tecnologia, refino e processamento industrial em território brasileiro.
O artigo conclui que o país se encontra diante de uma oportunidade estratégica para reposicionar sua participação na economia mineral global. Entretanto, a transformação das reservas em desenvolvimento territorial dependerá do equilíbrio entre atração de investimentos, fortalecimento da regulação, proteção ambiental e distribuição dos benefícios econômicos para as regiões impactadas pela atividade minerária. O debate legislativo em curso tende a influenciar diretamente a forma como esses recursos serão incorporados à dinâmica econômica e territorial brasileira nas próximas décadas.
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ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

