O Nordeste ganhou nesta semana uma nova ferramenta para apoiar a tomada de decisão de gestores públicos, empresas e cidadãos: a plataforma Data Nordeste, lançada pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) em evento realizado no Porto Digital, no Recife. O ambiente reúne informações sociais, econômicas e ambientais em painéis interativos, boletins temáticos e narrativas visuais, permitindo um olhar detalhado sobre os municípios, estados, biomas e territórios do Semiárido. A proposta é reduzir a fragmentação dos dados e oferecer uma base sólida para o planejamento regional.
Receba todas as informações da Geocracia pelo WhatsApp
Durante a cerimônia de lançamento, o superintendente da Sudene, Francisco Ferreira Alexandre, ressaltou que a disponibilidade de informações estruturadas é decisiva para o desenvolvimento: “O dado é essencial para formular políticas públicas e orientar empresas sobre seu compromisso com o ambiente em que atuam”. O presidente do IBGE, Márcio Pochmann, também destacou o caráter estratégico da iniciativa ao associá-la ao tema da soberania nacional dos dados e ao fortalecimento do planejamento regional.
O desenvolvimento da plataforma contou com apoio técnico do Observatório da Caatinga e Desertificação, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), e estabeleceu parcerias com o IBGE, o Instituto Nacional do Semiárido (INSA), o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social e a Federação das Indústrias do Estado da Paraíba. A geógrafa Ludmilla Calado, responsável técnica pelo projeto, explicou que os 14 painéis já disponíveis foram elaborados para facilitar a compreensão, mesmo de quem não tem familiaridade com estatística. Ela destacou ainda que novos módulos serão lançados em breve, com mapas de desertificação e algoritmos para identificação de padrões territoriais.
O caráter colaborativo também foi enfatizado pelo professor John Cunha, da UFCG, que coordenou a participação acadêmica. Segundo ele, a construção conjunta entre Sudene e universidade permitiu transferência de conhecimento e envolvimento de estudantes na modelagem do sistema. A base tecnológica foi projetada para se integrar a sistemas estaduais e municipais, o que pode estimular redes de cooperação interinstitucional em toda a região. O superintendente da Sudene confirmou que a plataforma já nasce com previsão de expansão, incluindo análises em tempo real e maior interação com sistemas de gestão pública.
O lançamento contou ainda com palestra do pesquisador Ricardo Cappra, que alertou para os riscos da “paralisia informacional” provocada pelo excesso de dados. Ele destacou que iniciativas como o Data Nordeste contribuem para o que denomina “democracia analítica”, em que a informação organizada e rastreável se torna acessível a qualquer cidadão. Para Cappra, a plataforma representa não apenas um avanço tecnológico, mas uma infraestrutura de cidadania informacional, capaz de transformar o uso de dados em evidências para decisões mais claras e responsáveis sobre o futuro do Nordeste.
Com informações de movimentoeconomico.com.br
ISSN 3086-0415, produção de Luiz Ugeda.

