Eduardo Passos, no UOL, traz que em uma pequena cidade da Nova Zelândia, um símbolo típico do Sul do Brasil passou a ocupar a paisagem urbana: o escudo do Criciúma Esporte Clube, clube tradicional de Santa Catarina, deixou de ser apenas expressão de paixão futebolística para se transformar em elemento central da identidade visual de uma empresa local de reformas. O responsável por essa inusitada ressignificação é Clodoaldo Tiscoski, natural de Criciúma (SC), que há anos comanda a Tiscoski Renovation LTD, cuja frota de sete veículos exibe um logotipo em amarelo e preto fortemente inspirado no clube catarinense.
Segundo Clodoaldo, a escolha pela paleta de cores e pelo formato do escudo foi, a princípio, uma homenagem afetiva à sua cidade natal e ao clube do coração. Mas esse signo territorial — carregado de memória e pertencimento — logo ganhou vida própria no espaço público neozelandês. Após ter o primeiro logotipo copiado por uma concorrente, ele decidiu registrar oficialmente a marca, garantindo proteção jurídica e consolidando sua identidade empresarial num novo território.
Hoje, entre os neozelandeses, o escudo é amplamente associado à Tiscoski Renovation, sem qualquer vínculo direto com o futebol brasileiro. O que começou como um gesto subjetivo de saudade tornou-se uma estratégia eficaz de diferenciação comercial — um exemplo claro de geomarketing afetivo, no qual símbolos de origem territorial funcionam como operadores de reconhecimento e autenticidade em contextos migrantes.
Em alguns momentos, o símbolo ainda cumpre seu papel original de conexão identitária. Em Paihia, cidade a cerca de 200 km de Auckland, Clodoaldo viveu um desses episódios: “Eu estava dirigindo pelo centro quando vi uma pessoa correndo atrás do carro, me pedindo para parar”, relembra. Era um conterrâneo, também de Criciúma, vivendo na Nova Zelândia de forma irregular há oito anos, tomado pela emoção ao reconhecer o escudo familiar no meio da rua.
O acaso proporcionou uma longa conversa entre os dois, unindo trajetórias distintas por meio de um signo comum que atuou como marcador territorial na diáspora. No fim das contas, o escudo que nasceu como elo emocional com a terra natal transformou-se em emblema de sucesso empresarial — e, sobretudo, em ponto de encontro simbólico de identidades brasileiras espalhadas pelo mundo.
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