Drones usam líquens como “marcadores naturais” para localizar fósseis enterrados

Um novo estudo sugere que a prospecção de fósseis pode tornar-se mais rápida e precisa com o uso combinado de drones e líquens. Pesquisadores liderados por Brian J. Pickles mostram que certas espécies desses organismos, como Rusavskia elegans e Xanthomendoza trachyphylla, têm forte tendência a colonizar ossos fossilizados, exibindo uma pigmentação laranja facilmente distinguível no terreno. A partir dessa observação, a equipe desenvolveu um método para identificar remotamente esses líquens e, por consequência, áreas com potencial fossilífero.

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Os líquens são associações simbióticas entre fungos e algas capazes de se fixar em diferentes superfícies. No caso dos fósseis, a preferência observada parece estar ligada a características físico-químicas dos ossos, como maior porosidade, pH mais alcalino e melhor retenção de umidade, fatores que favorecem o crescimento desses organismos. Essa combinação cria um padrão biológico consistente, em que a presença de determinados líquens funciona como um indicador indireto de ossos enterrados, mesmo quando não há evidências visíveis a olho nu.

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Além da afinidade ecológica, o estudo explora as chamadas assinaturas espectrais dos líquens, ou seja, a forma específica como seus pigmentos refletem luz em diferentes comprimentos de onda, do visível ao infravermelho. Utilizando Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas (RPAS), os cientistas realizaram sobrevoos a cerca de 30 metros de altura, com resolução de 2,5 centímetros por pixel, e aplicaram algoritmos de classificação não supervisionada para destacar automaticamente áreas de interesse. A técnica permitiu mapear regiões onde a ocorrência de líquens se mostrou diretamente associada a fósseis de vertebrados, em especial dinossauros ornitísquios.

Para ampliar a aplicação do método, os autores propuseram dois novos índices espectrais, o LSR e o NDLI, voltados à detecção de líquens em imagens de drones, aeronaves e até satélites. A expectativa é que essas métricas contribuam para planejar expedições de forma mais direcionada, reduzindo o tempo de campo e concentrando esforços em áreas com maior probabilidade de sucesso. Ao integrar biologia, geologia e sensoriamento remoto, a abordagem abre uma frente adicional na prospecção paleontológica, na qual organismos vivos ajudam a revelar vestígios preservados há milhões de anos.

ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

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