A Embrapa Solos, em parceria com o IBGE e com apoio do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), lançou uma nova versão do Mapa de Aptidão Agrícola das Terras do Brasil. A publicação indica, em escala regional (1:500.000), o potencial de uso das terras brasileiras para lavouras — em três níveis de manejo tecnológico —, pastagens e silvicultura. O mapa está disponível gratuitamente na plataforma GeoInfo, da Embrapa, e também no Portal do PronaSolos.
O lançamento oficial ocorreu nesta quarta-feira (28), durante as comemorações de 50 anos da Embrapa Solos, no Rio de Janeiro. Segundo os pesquisadores responsáveis, o novo levantamento atualiza e amplia a metodologia anterior, incorporando avanços na interpretação dos solos e considerando fatores como fertilidade, disponibilidade de água, risco de erosão e impedimentos à mecanização. A classificação também inclui o uso da terra por pequenos agricultores e por grandes empreendimentos agrícolas, com base em três níveis de tecnologia e investimento: A (baixo), B (médio) e C (alto).
O mapa combina dados do Mapa de Solos do Brasil (IBGE, 2018), áreas desmatadas da Amazônia Legal (Prodes/Inpe) e unidades de conservação e terras indígenas (MMA, 2020). Áreas protegidas e não desmatadas da Amazônia não foram incluídas na avaliação de aptidão, por não apresentarem viabilidade para uso agropecuário conforme os critérios de sustentabilidade ambiental e econômica.
Para cada unidade cartográfica, a aptidão agrícola é classificada como “boa”, “regular” ou “restrita” para lavouras, e quando inviável para cultivo, são sugeridos usos como pastagem plantada, pastagem nativa ou silvicultura. Também são identificadas áreas “inaptas”, recomendadas para conservação ambiental. O modelo busca orientar tanto políticas públicas como decisões privadas, apoiando o ordenamento territorial e o planejamento agrícola regional.
De acordo com os pesquisadores da Embrapa, o novo mapa pode subsidiar ações de extensão rural, definição de prioridades logísticas, distribuição de incentivos e zoneamentos diversos. Programas como o PronaSolos e o Zoneamento de Risco Climático (Zarc) devem ser diretamente beneficiados com os dados, ampliando a capacidade do Estado de planejar o uso sustentável das terras no território brasileiro.

