Europa desenvolve “guinchos espaciais” robóticos para reparar e rebocar satélites em órbita

Engenheiros e empresas europeias trabalham no desenvolvimento de robôs capazes de reparar, reabastecer e até rebocar satélites em órbita. A iniciativa busca responder a um problema crescente no espaço: o aumento do número de satélites desativados ou com falhas que permanecem orbitando a Terra. Um dos projetos mais avançados é a missão European Robotic Orbital Support Services (EROSS), coordenada pela empresa Thales Alenia Space com financiamento da União Europeia, que pretende realizar uma missão de demonstração por volta de 2028.

Receba todas as informações da Geocracia pelo WhatsApp

A proposta é enviar um pequeno satélite equipado com um braço robótico capaz de se aproximar de outro equipamento em órbita e realizar inspeções detalhadas. Após essa etapa, o robô tentará capturar o satélite para demonstrar operações de reabastecimento e manobra orbital. A tecnologia funcionaria de forma semelhante a um guincho rodoviário: operadores poderiam solicitar serviços de manutenção ou resgate de satélites que apresentam falhas ou estão prestes a ficar sem combustível.

Quero meu exemplar de Direito Administrativo Geográfico

Quero meu exemplar de Direito Ambiental Geográfico

O desenvolvimento dessas soluções ocorre em um contexto de rápido crescimento da infraestrutura orbital. Atualmente existem cerca de 15 mil satélites ativos ao redor da Terra, além de milhares de equipamentos desativados. Quando um satélite deixa de funcionar, ele pode se tornar um risco para outros veículos espaciais, já que colisões produzem fragmentos que permanecem em órbita por décadas, ampliando o problema conhecido como lixo espacial.

Um dos principais desafios técnicos é capturar satélites que não foram projetados para serem manipulados no espaço. Em muitos casos, não há pontos de acoplamento adequados. Os engenheiros do projeto estudam utilizar o anel metálico que conecta o satélite ao foguete durante o lançamento, componente presente na maioria das espaçonaves e considerado estruturalmente robusto. A partir desse ponto, o robô poderia estabilizar o equipamento e modificar sua órbita.

Além da missão EROSS, outras empresas europeias investigam soluções semelhantes. A startup francesa Exotrail desenvolve um veículo chamado spacevan, pensado para transportar pequenos satélites e futuramente realizar operações de aproximação e manutenção em órbita. Há também projetos voltados à remoção controlada de satélites desativados, empurrando-os para reentrada na atmosfera. Apesar do avanço tecnológico, especialistas apontam que o setor ainda enfrenta incertezas jurídicas e econômicas, incluindo a definição de responsabilidades em caso de acidentes e a dimensão real do mercado de serviços orbitais.

ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

Veja também

Geo e Legislação

Governança jurídica digital: do compliance à sustentabilidade operacional

Paulo Vinicius de Carvalho Soares escreveu no JOTA que o papel do jurídico nas empresas precisa ir além da simples resposta a demandas regulatórias. Com a intensificação das exigências normativas em torno da proteção de dados, da inteligência artificial e da sustentabilidade digital, o setor jurídico corporativo é convocado a