Apesar de originalmente justificadas por razões de segurança nacional, as restrições impostas pela Coreia do Sul à exportação de dados cartográficos de alta resolução têm se transformado em uma barreira comercial não tarifária que favorece empresas nacionais e prejudica a concorrência internacional. Um artigo publicado em 1º de julho por Seung Yeon (Sunny) Lee defende que o país precisa reformar urgentemente a Lei de 2014 sobre Estabelecimento e Gestão de Dados Espaciais, que proíbe a exportação de mapas com escala inferior a 1:25.000 sem aprovação do governo.
A análise destaca que todas as solicitações de exportação já foram negadas por um comitê interministerial, composto por representantes da Defesa, Relações Exteriores, Ciência, Inteligência e pelo Instituto Nacional de Informação Geográfica (NGII). Com isso, empresas estrangeiras como Google e Apple são obrigadas a operar com dados menos precisos, enquanto concorrentes locais — como Naver, Kakao e TMap Mobility — usam dados em escalas muito mais detalhadas, como 1:5.000. Essa assimetria representa perdas anuais estimadas em US$ 130 milhões para empresas norte-americanas e agrava tensões comerciais com os EUA.
Além de afetar a competitividade internacional, a política coreana ameaça o desenvolvimento de tecnologias emergentes que dependem de dados espaciais precisos, como veículos autônomos, sistemas de navegação baseados em IA e aplicações de realidade aumentada. O artigo alerta ainda para riscos jurídicos adicionais, ao sugerir que modelos de inteligência artificial treinados com dados protegidos podem ser enquadrados nas restrições da lei, dado seu potencial de codificar informações sensíveis, mesmo que de forma indireta.
A recomendação do texto é que a Coreia do Sul adote uma abordagem mais flexível e graduada, liberando dados de menor sensibilidade e incorporando salvaguardas técnicas como o desfoque de estruturas estratégicas. A iniciativa, além de mitigar a pressão dos Estados Unidos às vésperas do fim da trégua tarifária do Liberation Day, poderia fortalecer a imagem da Coreia como um player aberto e responsável no mercado global de geoinformação, favorecendo a inovação e a equidade concorrencial.
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