Cientistas confirmaram que furacões espaciais — fenômenos semelhantes a ciclones, mas formados por plasma próximo aos polos magnéticos — são reais e podem interferir no funcionamento de sinais de GPS. Pela primeira vez, uma equipe de pesquisadores analisou detalhadamente os impactos desse tipo de tempestade no clima espacial, utilizando dados de uma ocorrência registrada em agosto de 2014 no Hemisfério Norte. O estudo, publicado na revista Space Weather, mostra que esses eventos podem acontecer mesmo em períodos considerados “calmos” em termos de atividade solar.
O furacão espacial observado tinha mais de 1.000 km de diâmetro e girava no sentido anti-horário, mantendo-se praticamente estável sobre a região polar. De acordo com os pesquisadores, instabilidades no plasma geradas por fenômenos assim podem criar pequenas irregularidades capazes de comprometer a precisão de sinais de satélite. Embora sejam mais frequentes durante o dia e em latitudes magnéticas acima de 80°, raramente são visíveis a olho nu. Em média, cerca de dez eventos por ano são registrados em cada hemisfério.
A formação dessas tempestades depende de uma combinação de fatores, como o ciclo solar, a estação do ano e a configuração do campo magnético terrestre. Segundo os dados obtidos, os efeitos parecem se restringir à vizinhança dos polos e de áreas onde o furacão se manifesta. No entanto, os cientistas alertam para os riscos à medida que a presença humana — seja por bases de pesquisa, navegação ou comunicação — se expande nas regiões polares.
Entre 2010 e 2020, foram identificados 329 furacões espaciais no Hemisfério Norte e 259 no Hemisfério Sul. O próximo passo da pesquisa é ampliar o banco de dados para compreender melhor a dinâmica e a frequência desses eventos. Os autores ressaltam que, embora o estudo tenha como base um único caso, ele oferece informações valiosas sobre processos físicos que ainda não são plenamente entendidos e que podem ter implicações diretas para sistemas de comunicação e navegação globais.

