A empresa espanhola GMV apresentou um sistema de navegação lunar que promete revolucionar a forma como sondas e astronautas se deslocam na superfície da Lua. Batizado de LUPIN, o projeto simula a experiência de usar um aplicativo de mapas terrestre como o Google Maps, permitindo que robôs e humanos localizem-se em tempo real no ambiente hostil e acidentado do satélite. O desenvolvimento integra uma iniciativa da Agência Espacial Europeia (ESA) que aposta em tecnologias de posicionamento e cronometragem para sustentar a próxima fase da exploração espacial.
Testado recentemente nas paisagens vulcânicas de Fuerteventura, nas Ilhas Canárias, o sistema utiliza sinais simulados de satélites em órbita lunar, que futuramente serão reais. Hoje, a navegação lunar depende de comandos enviados da Terra, processo lento e sujeito a falhas. Segundo a GMV, a ausência de conexão direta contínua com o satélite terrestre e as zonas de sombra tornam a tomada de decisões imediata praticamente inviável, comprometendo a segurança de missões automatizadas ou tripuladas.
A ambição do LUPIN vai além de oferecer orientação: o sistema quer contribuir para a criação de mapas dinâmicos, especialmente em áreas críticas como o polo sul lunar e o chamado “lado oculto” da Lua. “Queremos que esses robôs mapeiem a superfície de forma rápida e segura para que astronautas possam trabalhar lá e estabelecer bases permanentes”, afirmou Mariella Graziano, chefe de estratégia da GMV. A longo prazo, a empresa vislumbra o uso da tecnologia como um passo essencial rumo a missões humanas em Marte.
