A Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicou semana passada a segunda versão do Modelo Genérico de Processos de Produção de Geoinformação (GGIBPM), integrando a série de Manuais Técnicos em Geociências. Disponível gratuitamente no portal do IBGE, o modelo apresenta uma estrutura genérica para descrever processos produtivos de dados geoespaciais, visando apoiar tanto instituições públicas quanto privadas no aprimoramento da governança sobre suas atividades técnicas.
Desenvolvido para servir como referência metodológica, o GGIBPM busca promover a padronização, a documentação e a modernização das práticas de produção de geoinformação. O objetivo é criar uma linguagem comum que facilite o intercâmbio de métodos, tecnologias e experiências entre organizações produtoras de dados espaciais. Segundo o gerente de Métodos de Gestão da Coordenação de Geomática do IBGE, Diego Araújo de Carvalho Nascimento, o modelo oferece uma visão completa e adaptável da cadeia produtiva da geoinformação, desde a formulação da demanda até a avaliação final do produto.
Inspirado no modelo estatístico GSBPM (Generic Statistical Business Process Model), criado pela Comissão Econômica da ONU para a Europa e amplamente adotado na área estatística, o GGIBPM foi customizado para refletir as particularidades dos processos geocientíficos. O modelo contempla oito macroprocessos: especificar necessidades, planejar, construir, coletar, processar, analisar, disseminar e avaliar. Cada etapa é descrita com base em fluxogramas e documentação técnica que indicam entradas, saídas, atores e sistemas envolvidos.
Embora tenha surgido para atender demandas internas do IBGE, o modelo ganhou relevância diante das exigências de instrumentos de gestão na administração pública, como as Cadeias de Valor e os Planos Estratégicos. Para Diego Araújo, o GGIBPM pode apoiar diversas instituições no mapeamento e na racionalização de seus fluxos de trabalho, especialmente diante da crescente demanda por interoperabilidade, eficiência e integração da geoinformação ao planejamento estatal.
A iniciativa reforça o papel do IBGE como indutor técnico da produção de dados no Brasil, oferecendo agora um modelo aberto que pode ser adotado por instituições que atuam com cartografia, geodésia, meio ambiente, urbanismo, gestão territorial e outros campos que dependem da estruturação precisa de processos espaciais. A publicação do GGIBPM – Versão 2.0 está disponível gratuitamente no portal do IBGE.

