Victor Arnaud, presidente da Equinix no Brasil, em artigo publicado no portal Tele.Síntese, afirma que a expansão da inteligência artificial está diretamente condicionada a fatores físicos e territoriais, como oferta de energia, previsibilidade regulatória e capacidade de execução. Segundo o executivo, esses elementos têm redefinido a localização de data centers e demais infraestruturas críticas, deslocando o debate sobre IA do campo abstrato para uma lógica concreta de território e investimento.
Receba todas as informações da Geocracia pelo WhatsApp
O texto sustenta que o funcionamento de modelos avançados depende de grandes volumes de energia, infraestrutura computacional de alta densidade e redes de baixa latência. Nesse contexto, a chamada “corrida da IA” passa a ser também uma disputa geográfica, na qual regiões com melhor combinação desses fatores se tornam polos de atração de capital. Exemplos citados incluem o norte da Virgínia e o Texas, nos Estados Unidos, além de mercados emergentes no Sudeste americano.
A análise também aponta para a crescente relevância de fatores geopolíticos na definição desses investimentos. Países do Golfo, por exemplo, vêm ampliando sua participação ao alinhar disponibilidade energética e capital, ainda que sob riscos associados a instabilidade regional. Na Ásia e no norte da Europa, a combinação entre planejamento energético, conectividade e estabilidade institucional tem favorecido a consolidação de novos hubs digitais.
No caso brasileiro, o artigo identifica um conjunto de vantagens estruturais, como matriz energética predominantemente renovável e mercado digital de grande escala. No entanto, ressalta entraves como a complexidade regulatória, a percepção de risco e a instabilidade tributária. O debate em torno do ReData, que trata de incentivos à infraestrutura digital, é citado como exemplo de incertezas que podem afetar decisões de longo prazo.
A conclusão indica que a competitividade na era da inteligência artificial dependerá menos da capacidade de desenvolver algoritmos e mais da viabilidade de sustentar infraestruturas complexas em ambientes estáveis. Nesse cenário, a infraestrutura digital passa a integrar a disputa econômica global e a influenciar a distribuição de poder entre países e regiões.
Para acessar ao material, clique aqui.
ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

