Dez anos depois da experiência pioneira da Paulista Aberta, em São Paulo, a prática de fechar ruas para os carros e devolvê-las às pessoas se consolidou como política urbana em várias partes do país. Segundo o Mapeamento Nacional de Ruas Abertas, realizado pelo Instituto Caminhabilidade, já são mais de 180 ruas abertas em funcionamento, distribuídas em 12 programas espalhados por sete estados. A iniciativa vai muito além do lazer: representa um esforço para ampliar o uso democrático do espaço público e criar ambientes mais acolhedores nas cidades.
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Entre os exemplos mais recentes está a Rua da Gente, em Benevides (PA), criada em 2021. Diferente de outros programas, a proposta paraense funciona no período noturno, das 18h às 22h, com foco em atividades infantis e comunitárias. Já experiências mais antigas, como o Eixão do Lazer em Brasília, inaugurado em 1991, e as Avenidas de Lazer no Rio de Janeiro, continuam sendo referências ao oferecer quilômetros de vias exclusivas para pedestres e ciclistas nos fins de semana. Essas práticas demonstram como diferentes cidades adaptam o conceito às suas realidades locais.
A capital paulista segue como símbolo do movimento. A Avenida Paulista, fechada aos domingos desde 2015, já atravessou quatro gestões municipais e consolidou-se como espaço de convivência e diversidade cultural. Inspirada em modelos internacionais, como a Avenida Reforma da Cidade do México, a Paulista Aberta consolidou o debate sobre mobilidade e ocupação do espaço urbano. Hoje, o estudo aponta que essas iniciativas estão cada vez mais enraizadas, mostrando que abrir ruas é também abrir possibilidades para novas formas de viver a cidade.
ISSN 3086-0415, produção de Luiz Ugeda.

