Ministro brasileiro defende expansão da energia nuclear durante evento na Alemanha

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defendeu a ampliação do programa nuclear brasileiro durante participação em um painel realizado na Universidade de Frankfurt, na Alemanha. No evento, que reuniu representantes do setor energético e autoridades dos dois países, Silveira afirmou que o Brasil deveria concluir a usina de Angra 3 e avançar na construção de novos reatores nucleares, incluindo projetos de pequeno porte. Segundo ele, o país possui reservas relevantes de urânio e domínio tecnológico na produção de combustível nuclear.

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As declarações ocorreram durante os Diálogos Intercontinentais Brasil-Alemanha (Dinter), encontro que promove debates sobre cooperação econômica e energética entre os dois países. O posicionamento do ministro contrasta com a política energética alemã, que encerrou definitivamente sua produção de energia nuclear em 2023 após décadas de debate público e pressões do movimento ambientalista, intensificadas pelos acidentes de Chernobyl e Fukushima.

Silveira também associou a expansão nuclear ao crescimento da demanda energética provocada pela digitalização da economia. Segundo ele, a expansão global de data centers voltados à inteligência artificial deverá aumentar significativamente o consumo de eletricidade na próxima década, o que exigiria fontes de geração estáveis e de grande capacidade. Nesse contexto, afirmou que países que dominam a cadeia nuclear, como o Brasil, teriam condições de utilizar essa tecnologia como fonte de geração de base.

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Outro ponto destacado no painel foi o potencial dos chamados pequenos reatores modulares (SMRs, na sigla em inglês). Esses equipamentos, menores que usinas convencionais e produzidos em módulos industriais, são considerados uma alternativa para regiões isoladas ou não conectadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN). De acordo com participantes do evento, os SMRs poderiam substituir termelétricas movidas a combustíveis fósseis em localidades remotas, especialmente na região Norte do Brasil.

Estudos citados durante o encontro indicam que a conclusão da usina de Angra 3 exigiria investimentos adicionais estimados em cerca de R$ 24 bilhões. Por outro lado, a interrupção definitiva do projeto poderia gerar custos entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões relacionados a rescisões contratuais, desmontagem do canteiro de obras e devolução de incentivos fiscais. O debate sobre a continuidade do projeto permanece em análise no governo federal e no setor elétrico brasileiro.

ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

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