Após uma sequência de crimes violentos contra menores na região parisiense, muitos pais passaram a utilizar dispositivos eletrônicos de geolocalização para monitorar a localização de seus filhos. O receio com a segurança das crianças se intensificou após o assassinato de Luise, de 11 anos, encontrada morta em um bosque, e Elias, de 14 anos, esfaqueado ao sair do treino de futebol.
A crescente sensação de insegurança levou famílias a buscar alternativas tecnológicas para acompanhar os filhos à distância. Pequenos dispositivos eletrônicos de geolocalização, que podem ser presos a mochilas ou inseridos em roupas, estão se popularizando entre os pais preocupados. Algumas versões desses rastreadores contam com um botão de alerta e microfone, permitindo que a criança peça ajuda em caso de perigo iminente.
O comércio desses aparelhos se aqueceu nas últimas semanas, com preços variando de 39 a 129 euros. Alguns modelos funcionam por Bluetooth e têm alcance limitado, enquanto outros operam via GPS e permitem um rastreamento mais preciso em tempo real. Apesar da demanda crescente, há questionamentos sobre o impacto desse monitoramento na vida das crianças e adolescentes.
Para alguns jovens, a vigilância constante gera desconforto. Ninon Debrie, de 17 anos, sente-se pressionada pela decisão dos pais de monitorar seu carro e telefone. “Eu entendo a preocupação deles, mas isso me deixa com a sensação de que não tenho privacidade. Estou quase completando 18 anos e gostaria de ter mais liberdade”, comenta.
Nem todos os pais concordam com o uso desses dispositivos. Sophie, mãe de dois adolescentes, acredita que geolocalizar os filhos não traz mais segurança. “Para quê? Para encontrá-los quando já for tarde demais? Prefiro ensinar meus filhos a se cuidarem e confiarem no próprio julgamento”, afirma. Psicólogos alertam para os riscos de superproteção, argumentando que a vigilância excessiva pode prejudicar o desenvolvimento da autonomia e da autoconfiança das crianças.
Samuel Comblez, especialista em segurança digital infantil, defende que a decisão sobre o rastreamento deve ser discutida com os filhos. “Se a criança sente que está sendo vigiada o tempo todo, isso pode gerar uma falsa sensação de segurança e impedir que ela desenvolva habilidades para se proteger sozinha”, explica. O debate sobre a melhor forma de proteger os jovens continua, enquanto a tecnologia avança e transforma a relação entre pais e filhos.

